segunda-feira, 3 de agosto de 2026

PGR foi contra apreensão de dinheiro e relógios de Jaques Wagner, mostram documentos do STF

 


Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a apreensão de dinheiro em espécie e de bens de alto valor durante a operação realizada pela Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito das investigações relacionadas ao caso Banco Master. A informação consta em documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, em sua coluna no jornal O Globo.

Apesar de concordar com a realização da busca e apreensão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entendeu que a coleta desses bens seria uma medida prematura e excessivamente invasiva. O entendimento, no entanto, não foi seguido por André Mendonça, que autorizou o pedido formulado pela Polícia Federal.

Gonet considerou medida prematura

No parecer encaminhado ao STF, Gonet afirmou que a apreensão de dinheiro e objetos de luxo extrapolava a finalidade da diligência de busca e apreensão.

A apreensão de valores e bens de luxo ou de alto valor não se presta a esse intuito que justifica e legitima a providência invasiva. A apreensão requerida se mostra, ainda, prematura, porque a só existência de bens de alto valor nos recintos invadidos não é, por si, crime“, escreveu o procurador-geral.

O chefe do Ministério Público Federal também afirmou que a autorização poderia provocar repercussão pública desnecessária.

Haverá estrépito social e mediático prescindível, com agravamento desnecessário das interferências inevitáveis que a medida investigativa exerce sobre direitos fundamentais dos investigados“, registrou.

PF apreendeu dinheiro e relógios de luxo

A operação foi deflagrada em 18 de junho e resultou na apreensão de 13 relógios de luxo e de aproximadamente R$ 479 mil em espécie, entre dólares, euros e reais, localizados em um hotel em Brasília e no apartamento de Jaques Wagner, em Salvador.

Segundo análise preliminar da Polícia Federal, parte dos relógios apreendidos pertence a marcas como Patek PhilippeCartier e Hublot, cujos modelos podem alcançar valores elevados no mercado.

A defesa do senador informou que entre os itens recolhidos existem relógios originais e réplicas, mas não detalhou quais seriam as peças autênticas.

Pedido de audiência levantou suspeita de vazamento

Os documentos também revelam que um pedido de audiência apresentado por Jaques Wagner ao ministro André Mendonça, no mesmo dia em que a Polícia Federal encaminhou ao STF o pedido de autorização para a operação, despertou preocupação entre os investigadores.

Na decisão que autorizou a busca e apreensão, Mendonça cita o episódio como um fator que aumentou o risco de vazamento de informações sigilosas.

Ainda segundo a reportagem de O Globo, imagens registraram Jaques Wagner conversando reservadamente com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante um evento no Palácio do Planalto, em 9 de junho. A operação foi realizada nove dias depois.

Investigações incluem apartamento de luxo

As investigações da Polícia Federal também apuram negociações relacionadas à compra de um apartamento de alto padrão, avaliado em R$ 2,5 milhões, em Salvador.

Segundo a investigação, mensagens e documentos indicariam que as tratativas envolvendo o imóvel continuaram mesmo após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.

Os investigadores suspeitam que estruturas ligadas ao Banco Master tenham sido utilizadas para ocultar a origem da aquisição do imóvel.

Na última sexta-feira (31), em entrevista à Rádio Baiana FM, o senador afirmou confiar no andamento das investigações e disse acreditar que conseguirá demonstrar sua inocência.

A Polícia Federal que faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie e o magistrado vai julgar. (…) Eu sei o que eu fiz e estou tranquilo“, declarou.

 

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