O texto é da coluna de Mario Sabino, do
Metrópoles:
Lulinha pode derrotar Lula, e as instituições que
não param de funcionar se movimentam para tentar conter a sangria. O desespero
é evidente.
Depois do corpo mole e das manobras processuais da
PF nas investigações sobre o suposto tráfico de influência do filho do
presidente, André Mendonça agora tem de enfrentar a presteza da PGR, que quer
tirar Lulinha da alçada do ministro e mandar o seu caso para a primeira
instância, alegando que ele não tem foro privilegiado.
Por que Paulo Gonet não fez o mesmo com os
condenados de 8 de janeiro, todos eles cidadãos bem mais comuns do que o filho
do presidente?
Porque a letra da lei, no Brasil, tornou-se
instrumento de ocasião, assim como a jurisprudência do STF. A razão jurídica
depende de quem julga e de quem é julgado.
É de se perguntar — retoricamente — se a PGR pediria
para mandar Lulinha para a primeira instância, se o relator do caso do INSS
fosse Alexandre de Moraes, Flávio Dino ou Gilmar Mendes.
Lulinha virou problema urgentíssimo para Lula,
porque os vazamentos para a imprensa se avolumaram e apontam, na razão inversa
à presunção de inocência, que o rapaz está mais enredado do que se pensava com
o bando que roubou de aposentados e pensionistas e que, sabe-se agora,
enxergava o governo do chefão petista como mina de ouro em outros negócios para
o bem da humanidade.
Escrevi em dezembro do ano passado que é sempre uma
alegria ouvir falar em Lulinha. Por que não seria? Ele é o filho mais honesto
do mundo do pai mais honesto do mundo, e, como tal, só atrai gente exemplar.
Como o amigão do peito Fernando Bittar, sócio do
filho do presidente na Gamecorp, a produtora que recebeu um caminhão de
dinheiro da Oi, dono formal do sítio de Lula que não era de Lula — e que
reaparece agora como suposto sócio da lobista Roberta Luchsinger e do filho do
presidente.
Os jornalistas Laryssa Borges e Ricardo Chapola, que
tiveram acesso à íntegra do material de investigação da PF, publicaram que
Lulinha, Bittar e Roberta mantinham um grupo de WhatsApp batizado de
“Musaranhos”, no qual eles eram os “Musos” e ela, a “Musa”. Discutiam negócios
em andamento com o governo, projetavam ganhar uma bolada, a Suíça era o futuro
de todos.
Roberta Luchsinger é gente boa: alugou por meio de
um laranja uma mansão para Lulinha usar quando ia a Brasília. Pagava contas para
o chefe de gabinete de Lula, o Marcola, que a pôs em contato com um petista
histórico então alojado no Ministério da Saúde, o Berger, nome ideal para abrir
portas para um contrato de fornecimento de remédios à base de canabidiol no
qual o Careca do INSS apostava pesado.
No grupo Musaranhos, há a seguinte troca de
mensagens, segundo os jornalistas:
Roberta: “Pousei. Vou lá no Berge”.
Lulinha: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo pro
Berge e fala que não fui pq vc não chamou”.
Roberta: “Precisamos 100% do Berger”.
A lobista se jactava de ter proximidade com Lula,
sim com o presidente da República. De acordo com os jornalistas, em 2024, em
mensagem enviada a certo Gustavo Gaspar, Roberta afirma:
“Sabe, fui das poucas pessoas que o Lula chamou e
perguntou: escolhe onde vc quer ficar. Eu disse: onde eu tô. Na minha sociedade
com Fábio (Lulinha) e Fernando (Bittar).”
Ela também disse em mensagem ao interlocutor que “tô
em cargo nenhum e ando onde eu quero”. E declarou: “Fabio e eu somos uma coisa
só. Se um fala, todos vão. A gente é mesmo irmão sabe”.
Segundo a revista, há ainda outra mensagem na qual
ela diz: “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo precisa. Tem q se
preservar.”
Faço perguntas que costumavam ser feitas pela
imprensa d’antanho:
Lula convidou, de fato, Roberta Luchsinger para
integrar o governo?
A lobista era mesmo sócia oculta de Lulinha (e de
Bittar) em negócios nos quais ele fazia de tudo para “se preservar”?
O presidente da República sabia dessa sociedade
oculta, como afirmou a lobista?
Com Lula citado em mensagem de Roberta Luchsinger,
imagino que fica difícil mandar o caso de Lulinha para a primeira instância.
Nenhum comentário:
Postar um comentário