O presidente Lula (PT) tem dito a interlocutores que
considera a postura do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, uma
“traição política” maior até do que a atribuída ao ex-ministro da Fazenda
Antonio Palocci, que em delação no âmbito da Lava Jato, afrmou que o líder
petista recebeu propina. Os relatos de interlocutores foram feitos à reportagem
do Poder 360.
A insatisfação de Lula com Galípolo tem dois motivos
principais. O primeiro é a atuação do presidente do BC no caso do Banco Master
e o segundo é a manutenção dos juros em patamar elevado durante o ano
eleitoral.
No caso do Master, a estratégia do PT era atribuir
ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto a responsabilidade pelas
ações de Daniel Vorcaro, fundador do banco. Galípolo, porém, contrariou essa
versão durante audiência na CPI do Crime Organizado.
Em 9 de abril, ele afirmou: “Não há, em nenhum
processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por
parte do ex-presidente Roberto Campos”.
A declaração contrariou a estratégia do PT de
responsabilizar Campos Neto e, segundo os relatos, irritou Lula. Em 15 de
abril, o presidente chegou a cobrar publicamente uma explicação de Galípolo,
mas a resposta esperada pelo petista não veio.
A segunda razão da insatisfação é a condução da
política monetária. Lula considera que havia espaço para uma redução mais
rápida da Selic. A taxa, que estava em 15% em janeiro, passou por quatro cortes
e chegou a 14%.
Em fevereiro, Lula havia cobrado publicamente
Galípolo para que “consertasse” os juros. O ritmo de redução, no entanto, foi
considerado lento pelo presidente.
Também segundo os relatos de interlocutores ao Poder
360, Lula avalia que, se Galípolo tivesse reforçado o discurso do PT contra
Campos Neto e acelerado a redução dos juros, sua situação política poderia ser
melhor no ano eleitoral.
Com informações de Poder 360

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