Investigação da Polícia Federal afirma que a lobista
Roberta Luchsinger fazia “significativas movimentações de dinheiro em espécie”
e que usou uma parte desses valores para pagar uma agência de turismo que
bancou viagem de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente
Lula (PT).
Em documento que fundamentou a abertura de um
inquérito contra Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, a PF destaca que em 25
de junho do ano passado o motorista de Roberta fez “duas coletas em espécie com
terceiro desconhecido” nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil.
Desse total, diz o órgão no texto ao qual a Folha
teve acesso, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia
emitido passagens para Lulinha e Roberta —nesse mesmo dia, o serviço da agência
foi usado para pagar passagens no valor de R$ 2.000 para os dois, de Brasília
ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Em agosto do mesmo ano, Roberta afirmou em um
diálogo transcrito pela PF que não iria mais poder gastar com passagens, porque
já estava gastando R$ 100 mil por mês em uma casa usada por Lulinha. Essa
conversa de agosto foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo
e confirmada pela Folha.
Procurada, a defesa de Lulinha disse que “setores da
PF instrumentalizados por interesses políticos-eleitorais seguem tentando
interferir nas eleições de 2026” e diz que não é provado nos autos que esse
dinheiro foi usado para pagar as passagens.
“É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da
irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para
o país. Isso nos remete ao pior que ocorria durante a época da finada Operação
Lava Jato”, afirma o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho.
Também procurada, a defesa de Roberta Luchsinger
disse que não iria comentar “conversas que supostamente são retiradas de um
relatório que está sob sigilo”.
Em representação que trata de investigação sobre
Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a PF afirma que Roberta usava
seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Júnior, “para realizar significativas
movimentações de dinheiro em espécie”.
A polícia destaca o recebimento dos R$ 300 mil em
2025. Na ocasião, Roberta diz a Ulisses: “Quando você pegar o dinheiro me
avisa”.
Ele responde: “Acabei de pegar tudo, tô levando pra
sua residência. Não contei… pq está em pacotes lacrados”. “Chegando na
residência eu passo o valor total. Uns 20 min”, diz o motorista, que, em
seguida, afirma que são “100 + 200”.
Roberta pede para ele depositar R$ 50 mil na conta
da consultoria dela e R$ 50 mil na conta da agência de viagens. Também pede
para tirar outros valores e dar a pessoas não identificadas pela PF.
Ulisses responde “ok”, depois manda uma foto de um
armário e diz: “Restante tá atrás das roupas”.
A lobista também manda ao motorista uma captura de
tela com o bilhete eletrônico do voo que fará com Lulinha. Ela diz que chegará
com ele pela entrada das autoridades às 16h30, e avisa: “cê esteja lá, por
favor”.
A PF não menciona a qual casa se refere Roberta no
diálogo de agosto, mas ela alugava uma em Brasília que também era usada por
Lulinha, segundo um processo trabalhista apresentado contra a lobista.
Com informações da Folha de SP

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