Investigado no Inquérito das Fake News por
determinação do ministro Alexandre de Moraes, o jornalista Luís Pablo, 40 anos,
nega ter monitorado ou perseguido o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal
Federal (STF), e seus familiares. O repórter teve o sigilo de suas comunicações
quebrado pela Polícia Federal (PF) — medida que revelou sua fonte de informação
e gerou fortes reações de entidades de imprensa, que apontaram violação ao
direito constitucional do sigilo de fonte (Art. 5º da Constituição).
As reportagens publicadas por Luís Pablo revelaram o
uso supostamente irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do
Maranhão (TJ-MA) pela família de Dino, antes que houvesse formalização do
pedido de cessão entre o STF e o tribunal estadual.
Em entrevista ao Poder360 nesta
quinta-feira (13), o jornalista rechaçou as acusações de perseguição e de ter
recebido pagamentos para atacar o magistrado:
- Atuação
e Fonte: Afirma que apenas divulgou
documentos entregues de forma espontânea por sua fonte, o ex-secretário de
Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, e que não realizou campo ou monitoramento
presencial.
- Repasses
Financeiros: Explicou que o valor citado
no relatório da PF tratou-se de um empréstimo pessoal feito em setembro
com o advogado Diogo Lima — quitado em fevereiro —, mais de um mês antes
de ter acesso ao material da reportagem, recebido apenas em 1º de
novembro.
- Contraditório: Garante
que seguiu os ritos jornalísticos, buscando o posicionamento oficial do
STF e do TJ-MA via e-mail institucional antes de publicar o texto.
Reações no STF
Durante sessão no plenário do STF, o ministro Flávio
Dino classificou as investigações como legítimas e afirmou que ele e seus
filhos foram alvo de fotos e acompanhamento ostensivo, comparando a situação a
episódios da ditadura militar.
O ministro Luiz Edson Fachin defendeu a apuração de
eventuais crimes ou ameaças aos magistrados, mas ressaltou que as investigações
não devem ultrapassar os limites da “atividade jornalística legítima exercida
no cumprimento de sua função constitucional”. Já o ministro Alexandre de Moraes
declarou apoio a Dino, afirmando que o sigilo da fonte não pode ser utilizado
como “instrumento de impunidade criminal”.
Outro Lado
A defesa de Raimundo Cutrim apontou suspeição
superveniente no processo, destacando que o ex-secretário já era alvo de um
inquérito relatado pelo próprio ministro Flávio Dino. O espaço segue aberto
para a manifestação da defesa do advogado Diogo Lima.
Com informações do Poder360

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