As escolas particulares brasileiras planejam
reajustar o valor das mensalidades escolares em até 11% para o próximo ano
letivo, índice que supera a projeção da inflação oficial de 4,5% estimada para
2025. O percentual atinge diretamente as famílias de cerca de 9 milhões de
estudantes matriculados na rede privada de ensino em todo o país.
A estimativa integra um levantamento elaborado pela
empresa de consultoria e gestão educacional Meira Fernandes, com base em dados
de 300 instituições de ensino distribuídas por oito estados. De acordo com o
estudo, 98% dos colégios consultados confirmam a intenção de aplicar reajustes
nos contratos educacionais.
O levantamento aponta que oito em cada dez
instituições planejam elevar as cobranças em faixas que variam de 7% a 11%. A
alta prevista intensifica o impacto financeiro sobre os responsáveis logo no
início do segundo semestre, período em que as instituições abrem o processo de
rematrícula.
Motivos que impulsionam o aumento das
mensalidades
O estudo aponta que a composição dos reajustes
reflete a elevação dos custos operacionais das instituições de ensino. Entre as
principais despesas estão as reformas de infraestrutura física, a contratação
de plataformas de segurança digital e a implementação de projetos pedagógicos
voltados à cidadania.
As escolas também justificam as correções com os
índices de inadimplência acumulados e os atrasos frequentes nos pagamentos
mensais ao longo do ano letivo. Outro fator de pressão financeira decorre dos
investimentos obrigatórios para a adaptação das salas de aula e das equipes
pedagógicas às normas de educação inclusiva.
As instituições também incluem nos cálculos a folha
salarial dos professores e dos funcionários do setor administrativo. No Estado
de São Paulo, o reajuste salarial da categoria docente ficou fixado em 6,95% no
mês de março, servindo de base para a recomposição das despesas educacionais.
Impacto no orçamento doméstico e
planejamento familiar
A alta nos preços altera o planejamento financeiro
das famílias com dependentes na rede privada. A proximidade do período de
renovação exige cortes preventivos em outras despesas da casa para absorver o
impacto das tarifas.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a educação básica reúne 46
milhões de alunos matriculados no Brasil. Desse total, os 9 milhões que
frequentam colégios particulares representam quase 20% das matrículas do ensino
fundamental e médio.
Estratégias para conter gastos e
negociar valores
Especialistas em finanças ressaltam que as famílias
precisam mapear desperdícios no orçamento doméstico para absorver a elevação
das tarifas educacionais sem recorrer a dívidas de longo prazo.
Com informações do Jornal da Band

Nenhum comentário:
Postar um comentário