Mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas
por O Antagonista e pela revista Veja lançam luz sobre a relação entre Fábio
Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger, sugerindo que os
dois teriam mantido um relacionamento amoroso paralelo às tratativas de
negócios que hoje são investigadas por suspeita de tráfico de influência.
Segundo trecho reproduzido pela Veja, em conversa
datada de 18 de janeiro de 2024 e recuperada pela PF, Roberta convida Lulinha
para uma viagem à Europa. Ele hesita, alegando que a viagem seria "arriscada",
e ela responde que o custo seria baixo — cerca de R$ 100 mil. Lulinha então
recusa o convite para aquele momento, mas promete que, "daqui a uns
meses", poderiam fazer a viagem "à vontade" — dando a entender
que pretendia se separar da esposa.
A publicação da Veja registra a seguinte declaração
atribuída a Lulinha: "A gente tá se arriscando a qualquer merda, não tem
explicação nenhuma". Comentaristas do Jornal das 6 interpretaram a fala
como evidência de que o "risco" mencionado por Lulinha não era de
natureza financeira ou jurídica, mas doméstico — o temor de ser flagrado pela
mulher, e não pela Polícia Federal. "Essas declarações fazem muito mais
referência a um caso amoroso do que a medo da mulher pegar do que da Polícia
Federal", afirmou um dos apresentadores durante o programa.
O episódio reforça relatos anteriores de uma
ex-funcionária de Roberta Luchsinger, que, em depoimento a um processo
trabalhista, chegou a se referir a Fábio Luís como "marido" da
lobista. A ex-empregada posteriormente afirmou que a declaração fora um erro,
mas o comentário reacendeu especulações sobre a proximidade entre os dois, que,
segundo apurações, mantinham uma relação que ultrapassava o âmbito
profissional.
Outras frentes da investigação
As mensagens entre Lulinha e Roberta também
mencionam o empresário Fernando Bittar, sócio de Fábio Luís e apontado como um
dos antigos proprietários do sítio de Atibaia (SP), investigado na Operação
Lava Jato. Segundo a Polícia Federal, os três — Lulinha, Roberta e Bittar —
manteriam uma "sociedade oculta" para intermediar interesses privados
junto a agentes e órgãos públicos.
Roberta ainda afirmou, em mensagens trocadas com
Lulinha em 29 de junho de 2025, que o empresário Bittar teria criado um perfil
falso nas redes sociais para atacar a primeira-dama Janja. Segundo a lobista,
Bittar também estaria utilizando o nome de Lulinha para tentar fechar contratos
com a Telebras.
Lula evita comentar o caso
O presidente Lula (PT) voltou a evitar responder
perguntas sobre as suspeitas envolvendo o filho e o ex-chefe de gabinete Marco
Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Após participar de solenidade em
comemoração ao Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército em Brasília, o
presidente deixou o local sem responder aos questionamentos de jornalistas.
Anteriormente, Lula já havia declarado que o filho deve "provar sua
inocência" e que, em caso de irregularidade, deve "ser julgado e
punido".
Segundo o Estadão, o núcleo político do PT tem
pressionado o presidente para que mantenha discrição sobre o tema, na tentativa
de evitar que o caso se transforme em um desgaste político mais amplo para o
governo.

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