sexta-feira, 31 de julho de 2026

VÍDEO: “Coletes vencidos, câmeras sem funcionamento e baixo efetivo”: sindicato reage à fuga de Alcaçuz

 



A fuga de 11 presos da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 do Complexo de Alcaçuz, em Nísia Floresta, ganhou um novo desdobramento. Em vídeo divulgado após a ocorrência, a presidente do sindicato que representa a categoria, Vilma Batista, fez críticas às condições do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte e afirmou que problemas de segurança já vinham sendo alertados pela entidade.

A fuga aconteceu por volta das 5h30 desta sexta-feira (31). De acordo com a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), 13 internos conseguiram deixar a cela. Dois foram recapturados ainda dentro da penitenciária e 11 conseguiram escapar.

Segundo informações sobre a ocorrência, os detentos utilizaram um túnel para a fuga. Entre os fugitivos estariam presos apontados como lideranças de organização criminosa.

Para Vilma Batista, a situação traz riscos que vão além do sistema prisional. “Muito preocupante, não só para a área de segurança, como para a sociedade, que vai amargar um preço alto por isso”, afirmou.

Sindicato aponta problemas na estrutura

No vídeo, Vilma afirma que o sindicato já vinha fazendo alertas sobre as condições das unidades prisionais. Entre os problemas citados por ela estão baixo efetivo, guaritas desativadas, coletes com prazo de validade vencido e dificuldades no funcionamento e monitoramento das câmeras de segurança.

A presidente da entidade também afirmou que, especificamente no ponto utilizado na fuga, não haveria câmera de vigilância.

“Enquanto isso, nós continuamos no sistema penitenciário com coletes vencidos, câmeras sem o devido funcionamento, sem condições de monitoramento, guaritas desativadas, baixo efetivo”, declarou.

A declaração sobre a ausência de câmera no ponto da fuga é uma afirmação do sindicato. Em nota oficial, a Seap informou que policiais responsáveis pelo sistema de videomonitoramento perceberam pelas imagens o momento em que os presos acessaram a área externa da penitenciária.

Vilma Batista também comparou o episódio ao cenário vivido pelo sistema prisional potiguar nos últimos anos. Segundo ela, desde 2017 o estado não enfrentava episódios dessa natureza envolvendo fugas, motins ou rebeliões. “Desde 2017 que a gente não tinha fuga, rebelião, motim. Mas, com o modelo de gestão atual, infelizmente, o retrocesso está aí”, criticou.

A sindicalista também questionou políticas de gestão de vagas e desencarceramento e citou o Pena Justa, plano nacional voltado ao enfrentamento de problemas estruturais do sistema prisional. As declarações representam o posicionamento da entidade sindical sobre o tema.

Outro ponto levantado foi a relação entre policiais penais e a própria administração penitenciária. Vilma afirmou que os servidores que trabalham diretamente nas unidades acabam responsabilizados por problemas estruturais que, na avaliação do sindicato, dependem de investimentos e decisões administrativas.

Em nota, a Seap informou que as forças de segurança realizam diligências para localizar e recapturar os 11 fugitivos.

A secretaria também afirmou que as circunstâncias da fuga serão investigadas por meio de procedimento administrativo.

Os presos procurados são Cleidson Martins Dantas, Thiago da Silva Maia Braga, Diogo da Luz Silva, Isaac Donato Rodrigues, Kaio do Nascimento Gomes, Tiago Nogueira da Silva, Petrúcio Railande dos Santos, Jackson Matheus Martins Simões, Jonatas Ferreira Isis Dorea da Silva, Eliandson Luciano de Lima e Julianderson Francisco Nogueira.

Portal da Tropical

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