Motorista do ex-banqueiro
Daniel Vorcaro, do Banco Master, Sidney Santos, conhecido como “Kiko”, esteve
pelo menos quatro vezes na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2024. Os
registros da portaria foram obtidos após pedido via Lei de Acesso à Informação
pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.
Segundo a documentação,
Sidney informou destino aos gabinetes dos deputados Geraldo Mendes (União-PR),
Benes Leocádio (União-RN), Pedro Westphalen (PP-RS) e Sanderson (PL-RS). As
visitas ocorreram entre os dias 7 e 20 de fevereiro daquele ano.
O motorista é citado
indiretamente em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal
Federal, que autorizou buscas em endereços do senador Ciro Nogueira em maio
deste ano. Sidney não é investigado no caso.
De acordo com a decisão,
Vorcaro enviou o motorista à casa de Ciro Nogueira em novembro de 2023 para
buscar rascunhos de um projeto de lei. Os documentos foram revisados em um
escritório indicado pelo ex-banqueiro e depois devolvidos ao senador.
Os projetos de lei
tratavam da regulamentação do comércio de créditos de carbono, tema de
interesse de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro. A decisão de Mendonça
registra orientação para que o transporte dos documentos não fosse vinculado ao
parlamentar nem ao banco.
Em nota, a assessoria do
deputado federal Benes Leocádio afirmou que “na data citada na matéria, o
deputado federal Benes Leocádio (União Brasil), não estava em Brasília. O
parlamentar encerrou sua agenda na capital federal e retornou ao Rio Grande do
Norte na noite anterior, como consta no print do bilhete de embarque”.
A assessoria garantiu que
“o deputado Benes nunca teve qualquer contato, reunião ou conhecimento sobre as
pessoas citadas na reportagem” e que “eventuais informações prestadas na
portaria não significam que tenha havido ingresso ou atendimento no seu
gabinete, até porque qualquer pessoa pode informar o destino que desejar ao
acessar o prédio. No caso mencionado, não há qualquer registro de entrada ou
atendimento no gabinete do parlamentar”.
Já os deputados Pedro
Westphalen e Sanderson negaram ter recebido o motorista em seus gabinetes.
Sanderson afirmou não conhecer o indivíduo e anexou cópia da agenda oficial do
dia mencionado como prova de que não houve encontro.
Westphalen informou que
sua chefe de gabinete não localizou registro da visita, mas destacou que o
acesso à portaria da Câmara não exige autorização prévia nem confirma a
presença efetiva no gabinete. O parlamentar afirmou que continuará apurando o
caso.


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