O Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do
Norte (Igarn) notificou a empresa responsável pelo açude Outeiro, em Canguaretama,
e determinou a paralisação das obras de recuperação da barragem.
O açude
rompeu na manhã de domingo (26), na zona rural do município, danificou uma
estrada dentro da Fazenda Outeiro, atingiu plantações e provocou alagamentos
que cercaram residências. Ninguém ficou ferido.
Segundo o órgão, as obras estavam sendo executadas
"sem a devida Licença de Obra Hidráulica, documento obrigatório para esse
tipo de intervenção". Após a notificação, a empresa interrompeu os
trabalhos.
Para que a recuperação da barragem seja autorizada,
a empresa deverá apresentar ao Igarn os projetos técnicos de engenharia da
obra.
O g1 não conseguiu contato com a
empresa responsável pelo açude Outeiro.
Segundo o instituto, a documentação passará por
análise para verificar "o atendimento às exigências legais, ambientais e
de segurança antes de qualquer autorização para a execução das obras".
O Igarn informou ainda que o açude era de
propriedade da empresa e não estava cadastrado no Sistema Nacional de
Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB).
De acordo com o órgão, "a responsabilidade pela
operação, manutenção e conservação da estrutura era do empreendedor, conforme
previsto na legislação aplicável".
O instituto acrescentou que, além das medidas
relacionadas ao licenciamento, a empresa poderá responder "na esfera
administrativa, civil e, quando couber, em outras esferas legais, por eventuais
danos causados a terceiros em decorrência do rompimento da barragem".
Antes do posicionamento do Igarn, a Defesa Civil
havia informado que a empresa responsável pela barragem assumiu a
responsabilidade pelo rompimento e estava trabalhando na recuperação da
propriedade.
Relembre o caso
O rompimento ocorreu por volta das 7h de domingo
(26), após o açude acumular grande volume de água com as chuvas registradas nos
últimos dias na região.
A força da água rompeu a barragem e devastou parte
da plantação de cana-de-açúcar da fazenda, além de destruir uma estrada
interna. O alagamento também cercou residências da região.
Moradores relataram que a água chegou a invadir
parte de duas casas, sem causar danos estruturais, e quatro vacas desapareceram
após o incidente.
Testemunhas disseram à Inter TV Cabugi que
a barragem apresentava fissuras dias antes do rompimento. Segundo relatos, uma
obra de ampliação da estrutura havia sido realizada cerca de dois meses antes
do incidente.

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