O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
afirmou na última terça-feira (28) que o Brasil deve ampliar o
orçamento para pesquisas científicas e, para isso, recorrer a
investimentos “por fora das coisas que nós conhecemos como arcabouço
fiscal“.
A fala de Lula ocorreu durante discurso na reunião
anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência) ao lado da presidente da entidade, Francilene Procópio Garcia.
“Eu tenho consciência disso, que se a gente não investir, sabe, em pesquisa, a
gente não vai para lugar nenhum”, iniciou o presidente que apresentou o pré-sal
e a ampliação do uso do biodiesel como conquistas do setor no país.
“Se não fosse pesquisa, a gente não tinha o pré-sal.
Se não fosse pesquisa, a gente não tinha o biodiesel. Se não fosse pesquisa, a
gente não tinha muitas das coisas que hoje nós temos. Então eu sei que é
preciso investir.”
O presidente levou Francilene pela mão até o centro
do palco para anunciar que pediu propostas para projetos “novos e ousados” e
admitiu recorrer a financiamentos que vão além do que o arcabouço fiscal impõe.
“Inclusive isso aqui dentro do orçamento não cabe. Nós vamos ter que construir
o funcionamento disso até por fora das coisas que nós conhecemos como arcabouço
fiscal.”
O arcabouço fiscal é a política monetária que limita
o crescimento de despesas públicas com base na arrecadação do país, embora
existam exceções para que certos gastos fiquem fora da meta financeira.
Lula, contudo, teve cuidado ao dizer na sequência
que não vai desrespeitar a medida por saber “o preço que ele tem para mim”, mas
que buscará metas como disputar o desenvolvimento da inteligência artificial
com países como Estados Unidos e China.
“A gente vai deixar que a briga fique entre Estados
Unidos e China ou a gente vai entrar no meio e dizer: ‘Nós existimos e o nosso
povo não é mais burro do que o povo de vocês e nós queremos outro tipo de
inteligência artificial?'”, provocou o presidente.
Os gastos do governo federal durante a gestão Lula
se tornaram objeto de críticas de campanhas de presidenciáveis opositores e de
especialistas. Até mesmo dentro do PT há uma ala que defende maior rigor no
controle de despesas em um eventual quarto mandato do petista.
CNN

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