O adolescente de 17 anos natural de Caicó que
confessou ter matado Washington Rodrigo, 33 anos, na última sexta-feira (24),
em um hotel em João Pessoa (JP), alegou que, por ser evangélico, teve medo que
a relação entre os dois fosse exposta. Em razão disso, segundo ele, terminou
cometendo o ato infracional análogo a homicídio. As informações foram narradas
ao Blog do BG pelo advogado do investigado, Ariolan Fernandes.
Na noite de segunda-feira (27), o adolescente se
apresentou, acompanhado do advogado, à 3ª Delegação Regional de Polícia de
Caicó. Depois de prestar depoimento, ele foi encaminhado para João Pessoa, onde
a investigação sobre a morte de Washington Rodrigo é conduzida pela Delegacia
da Infância e da Juventude.
Washington Rodrigo foi encontrado morto na cama de
um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, onde o adolescente,
para conseguir ae hospedar, apresentou dados falsos. De acordo com o advogado,
o seu cliente disse que conheceu o rapaz em um site de acompanhantes masculinos
e o contratou para um programa sexual.
Durante o encontro, ele imaginou que o rapaz teria
tirado alguma foto ou gravado algum vídeo dele pra lhe chantagear
posteriormente. Temendo ser exposto, ameaçou o jovem usando um simulacro de arma
de fogo para força-lo a desbloquear o celular..
Washington Rodrigo já estava algemado na cama, como
parte de um fetiche sexual proposto pelo adolescente. O caicoense acessou o
celular o rapaz, mas constatou que ele não havia feio nenhuma imagem do encontro.
Mesmo assim, para conseguir deixar o quarto sem chamar atenção, usou o fio de
um secador de cabelo para provocar o desmaio da vítima.
Ainda segundo o relato repassado pelo advogado, o
adolescente alega não ter tido intenção de matar o rapaz, apesar de assumir o
risco, só tendo ficado sabendo da morte dele no dia seguinte através da
imprensa.
O adolescente retornou na manhã de sexta-feira a
Natal, onde ficou hospedado em um hotel em Ponta Negra. No sábado (25), voltou
a Caicó. O investigado, ainda segundo o advogado, levava uma vida de
heterossexual, inclusive se apresentando nas redes sociais como pastor
evangélico, sem no entanto nunca ter ocupado o posto. A ida a João Pessoa,
inclusive, teria sido para participar de um evento religioso.
O adolescente atuava como uma espécie de
“missionário” e ministrava palestras religiosas, atividade que, somada a
serviços de marketing digital que prestava a alguns clientes, era uma de suas
fontes de renda.
Pela gravidade do caso, o advogado avalia que a
tendência é que o adolescente seja responsabilizado pela Justiça. “Eu vejo que
houve um crime bárbaro. A tendência é que ele seja condenado e que cumpra a
medida socioeducativa que for imposta”, disse. Neste caso, a medida mais severa
prevista pela legislação para adolescentes em conflito com a lei é a
internação, que pode durar até três anos.

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