sexta-feira, 19 de junho de 2026

Em defesa xandônica, Davi Alcolumbre de repente se transforma no Congresso Nacional

 


O colunista Carlos Andreazza analisa o discurso do presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, no qual o parlamentar se defende da acusação de ter recebido propina de Daniel Vorcaro. De acordo com a revista “Veja”, a delação rejeitada do banqueiro aponta um pagamento de R$ 30 milhões ao parlamentar.

Andreazza aponta que Alcolumbre utilizou inspiração no discurso “xandônico” de transformar qualquer crítica ou acusação a uma pessoa como um ataque às instituições.

”A gente chega ao trecho da fala dele que a gente vai examinar, que é um texto de Constituição, como eu gosto de chamar, Xandônica. É a vitimização de Davi Alcolumbre se colocando, não como senador Davi Alcolumbre, mas como a instituição. Qualquer denúncia, e claro que a denúncia tem que ser apurada, se for falsa é uma coisa gravíssima, mas qualquer denúncia no Brasil hoje contra autoridade, sob a lógica xandônica, qualquer denúncia vira um ataque, perversão da palavra ataque, perversão do verbo atacar, vira um ataque contra a instituição, contra o Senado", aponta Andreazza.

No comentário, o colunista também aponta que essa construção tem o objetivo de atrair o apoio dos demais parlamentares.

“Esse é um discurso por meio do qual se provoca o espírito de corpo dos demais ali. Aliás, nem precisava desse discurso. Veja a situação de vários senadores e suas relações com Daniel Vorcaro”, diz Andreazza, citando os casos de outros senadores.

“Não é só Davi Alcolumbre o senador implicado, por isso a solidariedade também. Tem o Ciro Nogueira, tem o Flávio Bolsonaro, tem o Jaques Wagner, também ecumênico, de todos os partidos. Percebam como se constitui o discurso de que eu sou a instituição. É um ataque à instituição, isso está na moda no Brasil”, enfatiza.

Carlos Andreazza também observa o recado de Davi Alcolumbre no discurso, de que tem alguém articulando contra ele.

“Está posto aí a presença de um elemento terceiro, que talvez ele saiba quem seja, talvez seja isso que ele tenha sugerido. Alguém, alguma força querendo prejudicá-lo”, diz Andreazza sobre a fala do parlamentar.

Carlos Andreazza - Estadão

 

 

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