terça-feira, 5 de maio de 2026

Styvenson aponta desafios do Desenrola 2.0: “juros altos, inflação e impostos estaduais pesam no endividamento”

 


O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) usou a tribuna do Senado Federal, nesta segunda-feira (4), para questionar os fundamentos do programa Desenrola 2.0, anunciado pelo governo federal. Para o parlamentar, a iniciativa tem mérito ao oferecer renegociação de dívidas com descontos de até 90%, mas esconde o verdadeiro diagnóstico do endividamento brasileiro: os juros estruturalmente elevados, decorrentes do desequilíbrio fiscal do governo, e a inflação persistente que corrói a renda das famílias.

“O Desenrola 2.0 vem como propaganda de governo. A iniciativa é louvável. Mas o que o governo não combate de verdade são as causas realmente da vida sufocante do brasileiro", afirmou Valentim durante o pronunciamento.

Uma das novidades do Desenrola 2.0 é a vedação ao acesso a plataformas de apostas esportivas — as chamadas bets — para os consumidores que aderirem à renegociação. Valentim reconhece a medida como positiva, mas alerta para o risco de o governo usar as bets como único vilão do endividamento, desviando o foco das causas estruturais.

“O governo diz que, a partir de agora, quem renegociar sua dívida ficará proibido de jogar nas bets. Como se as bets fossem o grande causador do endividamento brasileiro — e não são", disse o senador. O parlamentar citou pesquisa do Atlas Intel para sustentar o argumento: o endividamento do brasileiro não se concentra em apostas, mas em gastos básicos — alimentação, água e energia elétrica.

Valentim trouxe, ainda, dados do Rio Grande do Norte para ilustrar a gravidade do problema. Segundo levantamento referente a 2025, 49,65% da população adulta potiguar está endividada — o equivalente a 1,24 milhão de pessoas. O índice coloca o estado como o terceiro maior em percentual de endividados entre os estados do Nordeste.

“Só no Rio Grande do Norte, um milhão, duzentas e quarenta mil pessoas passam por isso", ressaltou o senador. "O custo de vida está destruindo a renda do brasileiro. A conta de água, de luz, os alimentos — são os gastos básicos que estão comprometendo o orçamento das famílias."

Na avaliação do parlamentar, a inflação é o principal motor do endividamento, não as apostas online. Valentim argumenta que enquanto o governo mantiver gastos elevados — gerando pressão sobre a taxa Selic e, por consequência, sobre o custo do crédito —, qualquer programa de renegociação será paliativo.

“A verdadeira causa é a inflação. São as pesquisas que estão dizendo que o que está destruindo a renda do brasileiro é a inflação", afirmou. "O desequilíbrio fiscal do governo impõe juros altos ao país, e esses juros encarecem o crédito, o financiamento, o rotativo do cartão — e é isso que afoga o brasileiro."

 Impostos estaduais também pressionam

O senador acrescentou ao debate um elemento local: no mesmo dia do pronunciamento, o governo do Estado do Rio Grande do Norte encaminhou à Assembleia Legislativa um pacote com cinco projetos de lei, entre os quais uma proposta de elevação da alíquota do ICMS para 20%. Também foram incluídas mudanças nas regras de cobrança do IPVA e a criação de novos tributos.

Para Valentim, o movimento estadual agrava ainda mais o cenário do endividamento no RN: além de conviver com a inflação nacional, os potiguares terão de absorver uma carga tributária maior sobre consumo e patrimônio — o que pressiona ainda mais o orçamento das famílias já endividadas.

Valentim deixou claro que não é contrário ao Desenrola 2.0 em si. O problema, na avaliação do parlamentar, está no enquadramento que o governo faz da iniciativa — como se ela resolvesse as causas do endividamento, quando na realidade apenas trata as consequências.

"Ele pode ajudar. O que a gente defende é que seja combatido o que realmente precisa, para que devolvamos ao brasileiro um poder de compra maior", concluiu o senador. "Mas sozinho, o Desenrola não é a solução para esse problema. O governo precisa colocar a casa em ordem, reduzir o desequilíbrio fiscal e devolver ao Banco Central condições de baixar os juros de verdade."

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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