O MPRN denunciou integrantes da facção Sindicato do
Crime do RN, apontando uma estrutura organizada com setores administrativos,
financeiros e até um núcleo chamado de “transparência”, em atuação todo o estado.
A denúncia, aceita pela Justiça, tornou 25 investigados réus por crimes como
organização criminosa armada, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e
lavagem de dinheiro.
Segundo o MPRN, a facção possuía uma estrutura
hierárquica complexa, com divisão clara de funções entre lideranças, operadores
financeiros, responsáveis pela comunicação e integrantes ligados ao tráfico de
drogas.
No topo estaria a chamada “Final”, formada pelos
fundadores do grupo. Abaixo, o “Conselho” exercia função deliberativa,
autorizando ações violentas, resolvendo conflitos internos e definindo
diretrizes da organização.
Um dos pontos que chamou atenção na denúncia é a
existência de um setor apelidado de “Transparência”, responsável pelo cadastro
de integrantes, monitoramento de áreas dominadas pela facção e emissão de
mensagens internas.
Segundo o Ministério Público, esse núcleo também
atuava na comunicação com a população em áreas sob influência do grupo.
Sistema financeiro e uso de contas de
terceiros
As investigações apontam a existência de grupos
exclusivos para controle financeiro da facção, com divisão por zonas de
arrecadação em Natal e no interior do estado.
Valores provenientes do tráfico de drogas eram
repassados à cúpula por meio de planilhas e cobranças organizadas em grupos de
mensagens. Também foram identificadas movimentações financeiras por meio de
contas de terceiros.
Atuação de advogada e “Sintonia dos
Gravatas”
Entre os réus está uma advogada suspeita de integrar
a chamada “Sintonia dos Gravatas”, grupo apontado como responsável por
facilitar a comunicação entre presos e membros em liberdade.
Segundo o MPRN, ela foi presa em flagrante durante a
operação com bilhetes conhecidos como “catataus”, usados para repassar ordens
criminosas, e teria tentado destruir provas durante a ação policial.
Operação, conexões e desdobramentos
A denúncia é resultado da Operação
Treme Tudo, deflagrada em dezembro passado, com mandados cumpridos no
RN e em outros estados. As investigações indicam conexões da facção com grupos
criminosos de outros estados e ligação com o Comando Vermelho, no Amazonas.
A Justiça manteve a prisão preventiva de 15 réus,
enquanto outros investigados seguem foragidos. O Ministério Público também
solicitou o perdimento de bens, veículos e valores apreendidos para enfraquecer
financeiramente a organização criminosa.



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