A investigação sobre o caso da menina Maria Clara
Silva, de 10 anos, internada em Natal após apresentar severas lesões na pele,
ganhou um desdobramento importante. Segundo avaliação do renomado
infectologista potiguar Kleber Luz, a hipótese de relação entre o quadro
clínico da criança e a contaminação por bactéria investigada pela Anvisa em
lotes do detergente Ypê é considerada improvável.
Em entrevista, o especialista afirmou que as manchas
apresentadas pela criança possuem características compatíveis com a
Parvovirose, uma infecção viral causada pelo parvovírus B19 e frequentemente
registrada em pacientes dessa faixa etária.
“A chance de ser a bactéria do Ypê é quase
impossível. As manchas que a Pseudomonas aeruginosa produz na pele são
enegrecidas, escuras”, explicou o infectologista. A bactéria citada motivou
recentemente um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
para o recolhimento de lotes específicos do produto.
O relato da mãe
De acordo com Tatiana Silva, mãe de Maria Clara, os
sintomas começaram no último dia 6 de maio. Ela relatou que a filha tinha um
pequeno ferimento na mão e apresentou reações cerca de 40 minutos após utilizar
o detergente cujo lote coincidia com um dos citados no alerta sanitário.
A menina passou por unidades de saúde em Natal e em
São Gonçalo do Amarante antes de conseguir transferência para o Hospital
Infantil Varela Santiago, onde permanece internada desde a última quarta-feira.
Apesar do susto inicial com o risco de infecção generalizada, o estado de saúde
da criança é considerado estável e ela apresenta sinais leves de melhora.
Desabafo sobre ataques na internet
Com a forte repercussão, Tatiana desabafou e
lamentou ter passado a sofrer ataques nas redes sociais após o episódio ganhar
dimensão política em Brasília — diante da informação de que empresários ligados
à fabricante da marca foram doadores da campanha do ex-presidente Jair
Bolsonaro em 2022.
A mãe negou veementemente qualquer motivação
política ao tornar a situação pública. “Não estou dizendo que a causa é o
detergente. Muita gente está me esculhambando. Eu não tenho lado de PT, eu sou
do lado dos princípios de Deus. Eu só chamei a reportagem para ajudar a minha
filha a sair da UPA, porque ela estava tendo muitas crises. Minha única
preocupação é com a saúde dela”, declarou.
Caso segue sob investigação
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) e a
Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap-RN) informaram que o caso
continua sendo acompanhado de perto pela Vigilância Epidemiológica.
Exames laboratoriais foram realizados para confirmar
se o quadro da criança é de fato compatível com Parvovirose, e o resultado
definitivo deve ser divulgado nos próximos dias. Segundo a SMS, não houve
necessidade de recolher o frasco do detergente na residência da família, já que
o lote utilizado pela criança já havia sido identificado e monitorado.

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