sábado, 9 de maio de 2026

Quando todos achavam que a Dosimetria pacificaria o Brasil, Moraes dobrou a aposta e reacendeu a guerra institucional

 


A Lei da Dosimetria foi construída como uma saída negociada. Não era a anistia que bolsonaristas queriam, nem a manutenção integral das penas que o governo defendia. Era o meio-termo possível — aprovado por maioria absoluta nas duas Casas, após meses de articulação, com apoio até de setores do chamado "Centrão do Supremo", que sinalizaram nos bastidores que não interfeririam na decisão do Congresso. Ministros do STF chegaram a indicar a parlamentares, segundo O Globo, que a Corte não deveria barrar a norma. O Brasil parecia caminhar para um armistício.

Alexandre de Moraes, no entanto, dobrou a aposta. Em vez de permitir que a lei produzisse efeitos e aguardar o julgamento de mérito no plenário — caminho que preservaria a deferência entre os Poderes —, optou por uma suspensão liminar que, na prática, anulou a vontade do Congresso antes mesmo de ouvir todas as partes. A mensagem foi clara: enquanto ele for o relator, as penas que aplicou permanecerão intactas. Ao menos dez pedidos de condenados foram negados em poucas horas.

O gesto recoloca o ministro no centro da polarização que a Dosimetria pretendia aplacar. Para a oposição, é a prova definitiva de que o STF opera como um poder sem freios, capaz de legislar por liminar. Para aliados do governo, é a defesa legítima da democracia contra uma lei que "banaliza" ataques golpistas. O fato é que a pacificação evaporou num sábado de manhã, e o país volta à estaca zero — com um agravante: agora não há mais meio-termo à vista.

 

 

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