sábado, 16 de maio de 2026

O que a esquerda fez enquanto a imprensa só falava do áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro

 



A semana política brasileira foi dominada por um único assunto: o áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraudes bilionárias no Banco Master, o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A revelação do Intercept Brasil consumiu praticamente toda a cobertura jornalística, monopolizou os debates nas redes sociais e virou combustível para uma avalanche de análises, repercussões internacionais e especulações eleitorais. Enquanto isso, a pergunta que ficou sem resposta na maioria das redações foi: o que aconteceu do outro lado do tabuleiro?

Aconteceu muita coisa. Na terça-feira (12), o presidente Lula assinou uma Medida Provisória revogando a chamada "taxa das blusinhas", o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 que ele mesmo sancionou em 2024. Uma medida que, em quase dois anos, arrecadou cerca de R$ 10 bilhões aos cofres públicos e que agora, a cinco meses das eleições, foi convenientemente enterrada. O próprio Lula, que defendeu a taxação, passou a chamá-la de "desnecessária". A mudança de discurso é evidente: o que era política fiscal virou cálculo eleitoral, e mais de 50 entidades da indústria e do comércio brasileiro já haviam alertado que a revogação pode custar empregos e bilhões em perdas para o setor produtivo nacional.

No mesmo dia, durante o lançamento do programa "Brasil Contra o Crime Organizado", Lula fez declarações que em qualquer outro contexto teriam dominado o noticiário. O presidente culpou abertamente o Poder Judiciário pela insegurança no país, afirmando que "as polícias prendem os bandidos e uma semana depois o bandido está solto". Foi além: disse que o crime organizado "muitas vezes está no Poder Judiciário e no Congresso Nacional". São falas gravíssimas de um chefe de Estado, que atacam diretamente a independência entre os Poderes, mas que passaram quase despercebidas em meio ao frenesi midiático em torno de Flávio Bolsonaro.

E como se não bastasse, na mesma semana, a Justiça determinou a soltura do dono do perfil Choquei, Raphael Sousa Oliveira, preso havia quase um mês na Operação Narcofluxo. A defesa sustenta que ele prestava serviços publicitários legítimos, e o próprio STJ reconheceu excesso na prisão. Um influenciador digital com milhões de seguidores, preso em unidade de segurança máxima por quase 30 dias, solto com medidas cautelares brandas. Um caso que levanta questionamentos sérios sobre proporcionalidade e liberdade de expressão, mas que, mais uma vez, foi engolido pela cobertura massiva do caso Vorcaro.

O padrão se repete e já é conhecido: quando a esquerda precisa aprovar medidas impopulares, recuar de promessas ou simplesmente agir sem holofotes, basta que surja um escândalo envolvendo a direita para que toda a atenção da imprensa se volte para o outro lado. Não se trata de defender ou absolver Flávio Bolsonaro, que deve, sim, prestar esclarecimentos à sociedade. Trata-se de cobrar equilíbrio. Jornalismo de verdade não é escolher qual escândalo cobrir com base em preferência ideológica. É cobrir todos eles, com a mesma intensidade, ao mesmo tempo. Porque enquanto o país inteiro olhava para um áudio, Lula revogava impostos por conveniência eleitoral, atacava o Judiciário e o sistema soltava um preso de alta repercussão sem que quase ninguém notasse.

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Fim da escala 6x1 pode encarecer moradias do Minha Casa, Minha Vida, alerta setor da construção

  A Folha de S.Paulo traz alerta da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) sobre os possíveis impactos do fim da escala de trab...