O governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) enfrentou uma sequência de derrotas no Congresso Nacional, mesmo
após acelerar a liberação de recursos para parlamentares. Em uma mesma semana,
o Senado rejeitou
a indicação de Jorge
Messias ao Supremo Tribunal Federal e deputados e senadores
derrubaram o veto presidencial ao projeto que altera regras de dosimetria de penas.
Nos bastidores, o Palácio do Planalto apostou
em uma estratégia clássica de articulação política: destravar emendas
parlamentares. Desde o início de abril, foram liberados R$ 10,9 bilhões —
o equivalente a mais de 80% de tudo que havia sido autorizado no ano
até então. Ainda assim, o esforço não se traduziu em apoio suficiente nas
votações consideradas prioritárias.
A movimentação incluiu um reforço concentrado às
vésperas da sabatina de Messias no Senado, com empenhos acelerados
e pagamentos autorizados em ritmo intensificado. Apenas para senadores, foco da
disputa pela vaga no STF, foram destinados cerca de R$ 2,4
bilhões no período. Apesar disso, a indicação acabou rejeitada
por 42 votos a 34, em um resultado considerado histórico e
raro para um nome indicado ao Supremo.
Entre os parlamentares mais beneficiados com a
liberação de recursos estão o senador Weverton Rocha, relator da
indicação na Comissão de Constituição e Justiça, e o presidente
do Congresso, Davi Alcolumbre. Ambos receberam volumes expressivos
de emendas no período, mas não se manifestaram publicamente sobre a relação
entre os repasses e o desfecho das votações.
No Congresso, cresce a avaliação de que
o modelo tradicional de negociação baseado em emendas perdeu força. Parlamentares têm
defendido que os recursos já fazem parte da prerrogativa do Legislativo,
reduzindo o poder de barganha do Executivo. No governo, por outro
lado, o diagnóstico é de que houve infidelidade de aliados, especialmente em
votações com voto secreto.
Além da derrota no Senado, o Planalto sofreu
novo revés com a derrubada do veto ao projeto da dosimetria,
ampliando o desgaste político. A proposta altera critérios de
aplicação de penas para crimes contra o Estado democrático de direito e
agora segue para promulgação.
Mesmo diante do cenário adverso, o governo ainda
tenta avançar com pautas prioritárias na Câmara dos Deputados, como
a proposta que trata do fim da escala de trabalho 6×1. A
expectativa é de que o tema seja analisado nas próximas semanas, sob relatoria
do deputado Leo Prates.

Nenhum comentário:
Postar um comentário