terça-feira, 19 de maio de 2026

Infectologista diz que estado de menina internada em Natal não condiz com bactéria encontrada em detergente Ypê

 


O infectologista Kleber Luz afirmou nesta segunda-feira (18) que o quadro clínico da menina Maria Clara Pereira da Silva, de 10 anos, não é compatível com uma infecção causada pela bactéria encontrada em lotes suspensos de detergentes da marca Ypê. A criança segue internada no Hospital Infantil Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, e o caso continua sendo investigado. Com informações do Agora RN.

A suspeita inicial surgiu após a menina apresentar sintomas cerca de 40 minutos depois de utilizar um detergente da marca pertencente a um lote suspenso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Apesar disso, o médico explicou que os sintomas apresentados pela criança apontam mais para uma infecção viral do que bacteriana.

Segundo Kleber Luz, a bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada em amostras investigadas pela Anvisa, costuma afetar pessoas com imunidade muito baixa.

“A Pseudomonas, que é a bactéria que tem sido atribuída a esse detergente, ela pode causar infecção em seres humanos, mas geralmente em pessoas que estão com as defesas muito baixas”, afirmou o infectologista em entrevista à TV Tropical.

O médico destacou ainda que as lesões provocadas por esse tipo de bactéria costumam ser graves e escuras, diferentes das manchas apresentadas por Maria Clara.

“As infecções que ela causa geralmente são infecções com lesões enegrecidas, chamadas de ectima gangrenoso, parecendo uma gangrena. É uma infecção bastante grave, não são manchas avermelhadas”, explicou.

De acordo com o especialista, as manchas vermelhas apresentadas pela menina são mais compatíveis com infecções virais, como a parvovirose, ou até mesmo reações alérgicas.

“As manchas avermelhadas são um atributo das infecções causadas por vírus, que são os exantemas. Também podem ser reações chamadas de urticária, com bastante coceira, causadas por diversas substâncias”, completou.

Maria Clara apresentou melhora após ser transferida, na última quarta-feira (13), para o Hospital Varela Santiago. Antes disso, ela havia passado pelo Hospital Belarmina Monte, em São Gonçalo do Amarante, e pela Unidade de Pronto Atendimento de Pajuçara, na Zona Norte de Natal, onde permaneceu internada com um quadro de infecção grave enquanto aguardava vaga em uma UTI pediátrica.

A família suspeita que os problemas de saúde tenham começado após a menina sofrer um corte em uma das mãos e lavar o ferimento com o detergente. O produto chegou a ser apresentado pelos familiares nas unidades de saúde durante o atendimento.

Caso Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou, no último dia 7, a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de produtos da marca Ypê após identificar falhas no processo de produção da empresa Química Amparo.

A medida foi publicada na resolução RE nº 1.834/2026 e atingiu detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes terminados em número 1.

Segundo a Anvisa, inspeções identificaram a incapacidade da empresa de corrigir falhas detectadas desde novembro do ano passado, quando foi constatada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos.

Entre os problemas apontados pelo órgão estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle de qualidade dos saneantes. De acordo com a agência, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação, conjunto de normas sanitárias obrigatórias para a indústria.

A Anvisa também informou que as falhas representam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica capaz de comprometer a saúde dos consumidores.

 

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