Um homem de 55 anos está preso desde o dia 6 de maio
no Rio Grande do Norte após ser apontado como autor de uma tentativa de
homicídio ocorrida em 1996, em Barra Funda, distrito da Zona Oeste de São Paulo.
No entanto, a família e a defesa afirmam que houve
um erro de identificação e que o verdadeiro autor do crime, irmão dele, já
confessou o homicídio e segue solto.
A Inter TV procurou o Tribunal de Justiça de São
Paulo para comentar o caso, mas não recebeu retorno até a última atualização
desta reportagem.
Segundo familiares, Cícero Silva de Araújo, o homem
que acabou preso por engano, trabalhou mais de 30 anos como auxiliar de
serviços gerais no mesmo local e mora desde a infância no bairro Bom Pastor, na
Zona Oeste de Natal. A família afirma ainda que ele nunca saiu do Nordeste e
não possui antecedentes criminais.
A prisão aconteceu após o cumprimento de um mandado
expedido pela Justiça de São Paulo.
“Meu pai nunca foi em São Paulo na vida dele. Ele
mora no mesmo endereço desde que nasceu, sempre trabalhou aqui e criou sete
filhos. Mesmo assim, está preso por um crime que não cometeu”, afirmou a filha
dele, a agente cultural Joyce Oliveira.
De acordo com a família, documentos, fotografias e
registros de trabalho foram apresentados para comprovar que ele estava no Rio
Grande do Norte à época do crime.
A defesa afirma que o irmão do homem preso usava os
documentos dele em São Paulo nos anos 1990. Segundo a advogada da família,
Débora Gurgel, o homem registrou a perda dos documentos na época, mas o irmão
continuou usando a documentação.
“Assim que ele percebeu que havia perdido os
documentos, registrou boletim de ocorrência e tirou novos documentos. Mas o
irmão continuou usando a identidade dele em São Paulo, inclusive para
trabalhar”, afirmou a advogada.
Ainda segundo a defesa, anos atrás o homem já havia
sido chamado para prestar esclarecimentos sobre o caso e, na ocasião, conseguiu
comprovar que não era o autor do crime.
Apesar disso, a prisão foi decretada novamente neste
ano.
A advogada informou que ingressou com pedidos de
relaxamento da prisão e habeas corpus, mas que até esta segunda-feira (18) a
Justiça paulista ainda não havia apreciado os pedidos.
“O verdadeiro autor confessou o crime
espontaneamente e está em liberdade. Enquanto isso, um homem inocente segue
preso”, disse.
Segundo a família, o homem foi transferido da
triagem para uma penitenciária em Parnamirim,
o que aumentou a preocupação dos parentes. Eles afirmam que ele é pessoa com
deficiência, passou recentemente por uma cirurgia nas pernas e necessita de
medicamentos e fisioterapia.
“Desde que ele foi detido, a gente não conseguiu ter
contato direto. Só a advogada consegue vê-lo rapidamente. Nossa mãe passa mal
todos os dias e a família está desesperada”, contou outra filha dele, que é
enfermeira.
A família informou que já procurou a Justiça e o
Ministério Público do Rio Grande do Norte, mas não conseguiu providências para
liberação do homem.

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