Mantida pelo Governo do Estado, a Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte (Uern) tem um orçamento previsto de R$ 496,8
milhões para 2026. Se esse valor for confirmado até o fim do ano, o repasse à
universidade vai aumentar 9% em relação a 2025, quando a receita foi de R$
455,2 milhões.
Os dados foram divulgados pela própria Uern nesta
quarta-feira 13 a pedido da reportagem do AGORA RN, no momento em que o futuro
da universidade entrou no centro do debate da pré-campanha eleitoral para o
Governo do Estado.
Desde o fim de 2021, com a sanção da Lei nº
11.045/2021 pela governadora Fátima Bezerra (PT), a Uern tem autonomia de
gestão financeira e patrimonial. Isso significa que a própria instituição
administra seus recursos, planejando e fixando prioridades para seu
funcionamento.
A mesma lei também estabeleceu um modelo de repasse
de recursos para a universidade. Em 2022, o valor foi de 2,31% sobre o total da
arrecadação de impostos do Estado. Esse índice subiu progressivamente nos anos
seguintes, até atingir 3,08% em 2025. Para os próximos anos, a lei define que o
repasse tem de ser de no mínimo 3,08%, podendo ser maior, a depender da
negociação entre a universidade e o Governo do Estado.
Atualmente, a instituição mantém 109 cursos, entre graduação
e pós-graduação, e reúne 14.280 estudantes. A Uern está presente em todas as
regiões do Estado, com 6 campi e 22 polos de educação à distância.
Os seis campi presenciais da universidade estão
localizados em Mossoró (Sede), Natal, Assú, Pau dos Ferros, Patu e Caicó. A
estrutura inclui ainda 22 polos de educação a distância, distribuídos por todos
os territórios do Rio Grande do Norte.
A universidade oferece 66 cursos de graduação e 43
cursos de pós-graduação, totalizando 109 cursos em todas as áreas do
conhecimento.
O corpo funcional é composto por 1.538 servidores,
sendo 862 professores e 678 técnicos administrativos. Ao todo, a instituição
reúne 14.280 estudantes de graduação e pós-graduação.
Os indicadores socioeconômicos evidenciam o papel da
universidade como instrumento de inclusão. Segundo dados institucionais, 80,2%
dos alunos são oriundos da escola pública, 79,6% pertencem a famílias de baixa
renda e 82,8% são naturais do Rio Grande do Norte.
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte foi
criada em 28 de setembro de 1968 através de uma lei municipal em Mossoró.
Inicialmente, levou o nome de Universidade Regional do Rio Grande do Norte
(URRN), vinculada à Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte
(FurRN).
Sua origem remonta a iniciativas anteriores de
ensino superior em Mossoró, como a Faculdade de Ciências Econômicas, criada em
1943, e a Funcitec, fundada em 1963. O primeiro reitor da Uern foi o professor
João Batista Cascudo Rodrigues, um dos principais articuladores do projeto
universitário mossoroense.
A trajetória da Uern foi marcada por três momentos
decisivos: a criação em 1968, a estadualização em 1987, no governo de Radir
Pereira, e o reconhecimento oficial pelo Ministério da Educação em 1993.
Polêmica na pré-campanha
Nos últimos dias, o futuro da instituição entrou na
pauta da pré-campanha para o Governo do Estado, após o pré-candidato Álvaro
Dias (PL) dizer que sua equipe técnica realizaria estudos de propostas sobre a
federalização ou a privatização da universidade. Depois da forte repercussão da
fala, o ex-prefeito de Natal voltou atrás e afirmou que, se for eleito, a Uern
seguirá estadual.
No recuo, Álvaro chamou a Uern de “patrimônio do
Estado do Rio Grande do Norte”, destacou que a universidade já formou mais de 60
mil profissionais e garantiu que a manterá como instituição estadual caso seja
eleito. “Eu jamais iria pensar em federalizar ou, muito menos, em privatizar a
Uern”, afirmou, em entrevista à rádio 96 FM.
O ex-prefeito de Mossoró e também pré-candidato ao Governo
Allyson Bezerra (União) reagiu às falas de Álvaro. “Não mexa com a Uern. A Uern
não é problema, a Uern é solução para o Rio Grande do Norte”, declarou, pelas
redes sociais. Allyson afirmou ainda que a universidade é “inegociável” e que
não aceita qualquer discussão sobre venda, privatização ou medidas que
enfraqueçam o vínculo estadual da instituição.
Outro pré-candidato ao governo, o ex-secretário da
Fazenda Cadu Xavier (PT) também criticou Álvaro. Segundo ele, o ex-prefeito de
Natal tratou a universidade como um problema, quando na verdade ela é
responsável por transformar a vida de milhares de jovens, em especial
estudantes de origem popular.
A reitora da Uern, professora Cicília Maia, afirmou
que a universidade será defendida permanentemente diante de qualquer
posicionamento que coloque em dúvida sua relevância. “Nossa postura primeira é
a da defesa permanente da nossa universidade, sempre”, declarou.
Segundo a reitora, a resposta da instituição deve se
basear na apresentação de resultados concretos nas áreas de ensino, pesquisa e
extensão.
Secretária defende Universidade
A secretária estadual de Educação, Socorro Batista,
que é professora aposentada da Uern e formada em Pedagogia pela instituição,
também saiu em defesa da universidade. “A Uern é patrimônio do povo potiguar e
símbolo da democratização do acesso ao ensino superior no Rio Grande do Norte”,
afirmou.
Socorro destacou que a universidade exerce papel
estratégico na formação de professores, pesquisadores e profissionais que atuam
diretamente no desenvolvimento social, econômico e cultural do Estado.
A secretária ressaltou ainda o perfil inclusivo da
instituição, lembrando que milhares de estudantes encontram na universidade
pública a oportunidade concreta de transformar suas vidas por meio da educação.
“Falar da Uern é falar de inclusão, interiorização e oportunidade”, declarou.
Na avaliação da secretária, a contribuição da Uern
vai além da formação acadêmica, alcançando a produção científica, a
qualificação de educadores e o fortalecimento de políticas públicas em todas as
regiões do Rio Grande do Norte.
Ao mencionar sua própria trajetória, Socorro Batista
afirmou que parte importante de sua formação acadêmica e humana foi construída
dentro da universidade. “Defender a universidade pública é defender um projeto
de sociedade mais justo, democrático e comprometido com o desenvolvimento do
Rio Grande do Norte”, disse.
Números
Sobre a Uern
Ano de criação: 1968
Campi presenciais: 6
Polos de educação a distância: 22
Cursos: 109 (66 de graduação e 43 de pós-graduação)
Servidores: 1.538 (862 professores e 678 técnicos-administrativos)
Alunos: 14.280 (80,2% oriundos da escola pública, 79,6% de baixa renda,
82,8% naturais do RN)
Orçamento estimado para 2026: R$ 496,8 milhões
Participação no orçamento líquido do Estado: 3,08%

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