Novos detalhes sobre uma reunião realizada no
Palácio do Planalto entre o presidente Lula (PT) e o banqueiro Daniel Vorcaro,
ex-controlador do Banco Master, jogam ainda mais combustível no debate sobre a
autonomia do Banco Central e as supostas interferências políticas na
instituição, conforme o Diário360.
Durante a agenda, que contou com a presença de
Gabriel Galípolo antes de assumir o comando do BC, Vorcaro queixou-se
diretamente a Lula de que estaria sofrendo uma severa “perseguição” no mercado
financeiro por parte de setores interessados em desestabilizar o Banco Master.
Em resposta ao desabafo, o presidente Lula associou
as dificuldades relatadas pelo banqueiro à gestão anterior do BC, classificando
o período comandado por Roberto Campos Neto como o “ovo da serpente” e
apontando uma suposta conduta de perseguição ao empresário.
Na mesma ocasião, Lula garantiu ao banqueiro que a
chegada de Galípolo à presidência da instituição mudaria o cenário, afirmando
que a condução sob o novo comando “seria diferente”, pautada por critérios
técnicos e imparciais. Segundo relatos, o petista orientou Galípolo a tratar o
caso com máxima isenção, numa análise de “doa a quem doer”, sem pirotecnia.
O assunto ganhou contornos oficiais após o
depoimento de Gabriel Galípolo à CPI do Crime Organizado. O atual presidente do
Banco Central confirmou aos parlamentares a realização da reunião e validou a
orientação recebida de Lula para atuar com tecnicidade.
No entanto, Galípolo fez questão de ressaltar que as
auditorias e investigações internas conduzidas pelo BC não encontraram qualquer
indício de irregularidade ou conduta inadequada por parte de Roberto Campos
Neto na autorização das operações do Banco Master ocorridas em 2019.
O embate divide opiniões em Brasília: enquanto o
Planalto sustenta a narrativa de isenção e defesa do mercado, a oposição
enxerga no tom das conversas de bastidores uma tentativa clara de influência
política sobre a autoridade monetária do país.

Nenhum comentário:
Postar um comentário