terça-feira, 7 de abril de 2026

Setor produtivo do RN vê riscos com eventual fim da escala 6×1

 


Representantes das principais federações empresariais do Rio Grande do Norte avaliam com cautela a proposta de possível extinção da escala de trabalho 6×1 no Brasil e defendem que qualquer alteração no modelo atual seja precedida de amplo debate com o setor produtivo. As manifestações, repercutidas pelo portal e jornal AGORA RN, convergem na preocupação com efeitos sobre custos operacionais, geração de empregos e competitividade das empresas.

Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras afirma que mudanças abruptas na jornada podem pressionar ainda mais um setor que já enfrenta dificuldades financeiras. Segundo ele, o transporte público opera com margens reduzidas e depende de escalas contínuas para manter a oferta de serviços. A avaliação é de que uma eventual redução de dias trabalhados sem ajustes estruturais poderia resultar em aumento de custos e impacto nas tarifas.

Já o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, tem defendido que alterações na jornada precisam considerar a realidade da produção e a necessidade de manter a competitividade. Ele aponta que mudanças no regime de trabalho, sem ganho equivalente de produtividade, podem comprometer a capacidade de investimento das empresas e afetar a manutenção de postos de trabalho.

No comércio e serviços, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio), presidida por Marcelo Queiroz, também tem sinalizado preocupação com a proposta. O setor, caracterizado por funcionamento em horários estendidos e forte dependência de mão de obra, avalia que a flexibilização das jornadas é essencial para atender à demanda dos consumidores. A entidade defende que qualquer alteração leve em conta a diversidade de atividades e permita modelos adaptáveis.

Já o presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), José Vieira, ressalta as especificidades do setor agropecuário, onde as atividades seguem ciclos naturais e não podem ser rigidamente ajustadas a escalas fixas. Para ele, mudanças na legislação trabalhista precisam respeitar essas particularidades, sob risco de comprometer a produção.

De forma geral, as entidades convergem na defesa de um debate técnico e gradual sobre o tema. A avaliação predominante é de que a discussão sobre o fim da escala 6×1 deve envolver não apenas trabalhadores, mas também empregadores e especialistas, com análise dos impactos econômicos e setoriais.

As federações também apontam que experiências internacionais e estudos sobre produtividade devem embasar qualquer proposta de mudança, evitando decisões que possam gerar insegurança jurídica ou desorganização nos setores produtivos.

 

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