A bancada do PT no Congresso decidiu não assinar o
requerimento que pede a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)
contra os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A informação,
publicada pelo R7 Planalto, revela o cálculo político do partido: com o governo
já cercado por desgastes em múltiplas frentes, abrir mais uma trincheira contra
o Supremo poderia ampliar danos sem benefício claro.
Uma liderança petista ouvida pela reportagem
confirmou o recuo: "O governo já enfrenta alguns desgastes em curso. O
momento não é adequado para ampliar o atrito."
Os "desgastes em curso" a que o partido se
refere são conhecidos. O mais sensível é a CPMI do INSS, na qual o empresário
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, é mencionado em
conexão com esquemas de descontos irregulares em benefícios previdenciários.
Assinar uma CPI contra ministros do STF com os quais o governo mantém relação
ambígua — ora de proximidade, ora de tensão — poderia abrir flancos
imprevisíveis.
Há também o fator Banco Master. Tanto Moraes quanto
Toffoli estão no centro do escândalo, com acusações que vão de contratos
milionários a viagens em jatos privados ligados a Daniel Vorcaro. Uma CPI teria
poder de aprofundar investigações que poderiam respingar no próprio Executivo,
considerando as conexões que a instituição financeira mantinha com agentes dos
Três Poderes.
A decisão do PT é pragmática, mas não isenta de custo.
Para a oposição, o recuo é mais uma evidência de que o governo protege aliados
no Judiciário. Para a opinião pública — que, segundo pesquisa AtlasIntel,
demonstra 60% de desconfiança no STF — a ausência do maior partido da base
governista numa investigação contra ministros questionados reforça a percepção
de conivência institucional.
Com informações do R7 Planalto.

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