Incomodado com os efeitos eleitorais do caso Master,
o governo decidiu entrar em modo de contenção de danos diante da repercussão do
escândalo. A estratégia desenhada nos bastidores passa por um alinhamento da
comunicação sobre o assunto e por um movimento para descolar o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) dos personagens envolvidos com o banco, segundo
fontes ouvidas pela CNN Brasil.
A tese é que já houve um “estrago” para a gestão
petista, apesar da premissa de que esta é uma crise que “não pertence” ao
governo. Nos bastidores, a avaliação é que a blindagem de Lula é crucial no
curto prazo, mas que as denúncias tendem a tomar um novo rumo com o avanço na
delação de Daniel Vorcaro.
Aliados de Lula fazem uma aposta otimista de que a
delação tende a desviar as atenções sobre o caso para políticos da oposição e
do centrão, afastando o caso do Palácio do Planalto. Nesta semana, vieram a
público informações sobre pagamentos do Master a diversos políticos, o que
governistas enxergam como um sinal dessa tendência.
O plano agora, afirmam esses interlocutores, passa
por um esforço para distanciar Lula de figuras como o ministro Alexandre de
Moraes. A avaliação interna é que o envolvimento do magistrado é um foco de
desgaste para Lula, dado o alinhamento entre os dois por conta dos julgamentos
da trama golpista e do 8 de janeiro.
A entrevista concedida pelo presidente nesta semana
ao ICL Notícias já englobou grande parte das mensagens nessa direção. Lula
declarou que aconselhou Moraes a se declarar impedido e criticou o
enriquecimento de ministros do STF.
A orientação por um alinhamento do discurso sobre o
caso Master também permeou a fala de Gabriel Galípolo à CPI do Crime Organizado
nesta semana. Mas gerou profundo desconforto no Planalto o fato de o presidente
do Banco Central ter isentado o antecessor Roberto Campos Neto. Até porque um
dos focos da estratégia desenhada é justamente transferir a responsabilidade no
governo Bolsonaro.
CNN Brasil

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