quarta-feira, 8 de abril de 2026

Petrobras despenca até 8% e lidera perdas do Ibovespa com tombo histórico do petróleo

 


Dia de turbulência para os acionistas da Petrobras. As ações da estatal registraram forte queda nesta quarta-feira (8) e lideraram as perdas do Ibovespa, com os papéis ordinários (PETR3) recuando até 7,43% e os preferenciais (PETR4) caindo 6,6% nas primeiras horas de negociação.

A derrocada acompanha o tombo histórico nos preços do petróleo, que despencaram entre 13% e 18% após o anúncio do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O barril de Brent, referência para a Petrobras, operava ao redor de US$ 95 — longe dos US$ 120 registrados no mês passado, mas ainda acima dos US$ 70 praticados antes do início do conflito.

A queda das ações da Petrobras não foi um caso isolado. Outras petroleiras listadas na B3, como Prio (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e 3R Petroleum (RRRP3), também operaram em forte baixa, configurando um movimento de venda em bloco no setor de óleo e gás. O fenômeno é global: as principais empresas de energia do mundo registraram perdas expressivas em Londres, Nova York e Hong Kong, refletindo a expectativa de que a reabertura do Estreito de Ormuz normalize o fluxo de petróleo e pressione as cotações para baixo nas próximas semanas.

Para a Petrobras especificamente, o cenário ganha uma camada adicional de complexidade com a Medida Provisória publicada pelo governo na noite de terça-feira, que institui um regime emergencial de abastecimento com subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel. A medida pode impactar as margens da estatal e levanta questionamentos sobre a política de preços de combustíveis praticada pela companhia. Além disso, o Cade afastou nesta quarta uma multa contra a Petrobras por descumprimento de acordo na TBG, trazendo um raro alívio regulatório em meio à pressão do mercado.

Apesar do tombo, analistas ponderam que o nível atual do petróleo — ainda acima de US$ 90 — continua sendo altamente rentável para a Petrobras, cuja estrutura de custos é uma das mais competitivas do setor no mundo. A questão central é se o cessar-fogo terá durabilidade ou se as tensões voltarão a escalar após as duas semanas de trégua. Para os acionistas da estatal, o momento pede paciência e análise cuidadosa: uma eventual retomada do conflito poderia reverter rapidamente as perdas de hoje, enquanto um acordo de paz mais amplo tenderia a pressionar as cotações para patamares mais baixos de forma sustentada.

 

 

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