A campanha que ministros do Supremo Tribunal Federal
(STF) fazem pela aprovação de Jorge Messias no Senado não é de todo
desinteressada. Nos bastidores, integrantes de diferentes alas da Corte lutam
para engordar seu próprio time – e, assim, conquistarem um aliado quando
Messias passar pelo crivo dos parlamentares.
Diante de um tribunal conflagrado, uma parceria a
mais é bem-vinda. Hoje, a ala crítica ao comando de Edson Fachin está
numericamente empatada com o time do presidente. A correlação de forças
internas pode mudar com a chegada do novato.
De um lado, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que são
aliados no Supremo e fazem oposição a Fachin em temas que o presidente
considera cruciais, pedem votos aos senadores em favor de Messias. Correm pelo
outro lado André Mendonça e Kassio Nunes Marques – que, por sua vez, apoiam a
gestão de Fachin e as prioridades eleitas por ele.
Nesse cenário, o time de Fachin leva vantagem. A
atuação de Mendonça rompeu os bastidores e ganhou contornos públicos na última
segunda-feira, 6, quando discursou a favor de Messias em um evento na
Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Na presença do candidato à cadeira
vaga no Supremo, Mendonça disse que torce para o advogado-geral da União chegar
logo à Corte.
Nunes Marques é amigo de Messias há mais tempo,
desde que ambos moravam no Piauí. Depois que Jair Bolsonaro indicou Nunes
Marques ao Supremo, Messias foi o principal articulador da aproximação do
ministro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nunes Marques conseguiu
emplacar aliados para tribunais de Brasília e, agora, quer fazer o mesmo pelo
advogado-geral.
Embora as duas alas do Supremo sejam matematicamente
iguais, o time de Gilmar e Zanin fala mais alto – especialmente pela maior
capacidade de articulação política interna e externa. Estão nesse time também
Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli. Ao lado de Mendonça e Nunes
Marques estão Cármen Lúcia, Luiz Fux e Fachin.
A divisão política do Supremo ficou mais patente
depois que estourou o escândalo do Banco Master. Fachin passou a defender um
comportamento mais sóbrio dos colegas e a aprovação de um código de conduta
para a Corte. Esbarrou na contrariedade da ala de Moraes e Toffoli. Ambos foram
mencionados no caso Master por relações mantidas com Daniel Vorcaro.
A turma de Fachin ficou enfraquecida nesse processo.
O presidente do Supremo insiste na aprovação do código de ética. Quer também
encerrar o inquérito das fake news para demonstrar à política disposição para
distensionar o clima polarizado em Brasília. A esperança dessa ala é que a
chegada de Messias fortaleça o presidente da Corte.
Carolina Brígido - Estadão

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