As declarações de Imposto de Renda do Banco Master
apontam pagamentos da empresa de Daniel Vorcaro para uma série de empresas e
escritórios de advocacia de dirigentes partidários, ex-ministros e até do
ex-presidente Michel Temer (MDB).
Os montantes, que compreendem R$ 65 milhões pagos
entre 2023 e 2025, de acordo com informações obtidas pelo Estadão, estão
discriminados em documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime
Organizado, do Senado.
No período, o escritório de Michel Temer recebeu R$
10 milhões. Por nota, o ex-presidente confirmou que seu escritório de advocacia
trabalhou para o Master, mas contestou o valor. “Como já declarei publicamente,
não é segredo pra ninguém, meu escritório foi contratado nesse caso para uma
atividade jurídica de mediação. O valor recebido pelo contrato foi de R$ 7,5
milhões”. disse, em nota.
As empresas dos ex-ministros da Fazenda Henrique
Meirelles e Guido Mantega receberam R$ 18,5 milhões e R$ 14 milhões, cada. Já
uma empresa de consultoria do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao
Governo da Bahia ACM Neto (União) recebeu R$ 5,4 milhões.
Mantega disse, por nota, que prestou “consultoria
econômica financeira” para o Banco Master em 2024 e parte de 2025. “Quando
firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade
eventualmente cometida por essa instituição financeira”, diz a nota do
ex-ministro.
Meirelles também confirmou ter sido contratado pelo
Master. “Mantive um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e
mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de
2024 e julho de 2025″, diz a nota.
ACM Neto diz que sua empresa de consultoria prestou
serviços de maneira lícita ao Master, mas não quis tratar dos valores. “A
referida relação comercial foi firmada sem que qualquer dos sócios da A&M
ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato.
Imperativo relembrar que foi apresentada petição à PGR e ao STF na qual a
A&M se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e
detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o
vazamento de dados fiscais sigilosos”, diz, em nota.
O Master pagou outros R$ 773 mil a Ronaldo Bento,
ex-ministro da Cidadania do governo de Jair Bolsonaro, e R$ 3,8 milhões a Fabio
Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência no governo
Bolsonaro.
Procurado pelo Estadão, Wajngarten diz que foi
“apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados
dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o
presente momento”. “O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela
qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente
exposto, já que sai de qualquer cargo público há mais de 5 anos”, complementa.
Ronaldo Bento ainda não se manifestou.
O escritório usado por familiares de Ricardo
Lewandowski recebeu outros R$ 6,1 milhões. Por nota, a equipe do ministro
aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça do
governo Lula afirma que, após deixar a Suprema Corte, em abril de 2023, ele
“retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestava
serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”.
“Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro
de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o
seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como determina a legislação
vigente”, diz a nota.
Há registro, ainda, de pagamento de R$ 6,4 milhões
ao escritório de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Em nota, a equipe
de Rueda afirmou que não confirma “informações baseadas em dados fiscais
supostamente vazados de forma ilícita”. “Declarações de imposto de renda são
sigilosas por lei. Todos os serviços prestados pelos escritórios são legais,
contratados regularmente e com plena conformidade tributária”, diz o texto.
“Os serviços jurídicos prestados ao conglomerado
Master tiveram caráter estritamente técnico, com atuação relevante e
devidamente documentada: dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de
1.000 audiências, cerca de 20 mil manifestações nos autos e aproximadamente 400
acordos realizados ao longo do período. Trata-se de atividade profissional
legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no País,
sem qualquer interferência da atuação pública de Antonio Rueda em relações
privadas de natureza jurídica”, complementa.
Estadão

Nenhum comentário:
Postar um comentário