Influenciadores digitais ganharam protagonismo nas
redes sociais, mas enfrentam restrições legais ao atuar em campanhas
eleitorais. A legislação brasileira proíbe pagamento, contratação ou qualquer
vínculo formal entre criadores de conteúdo e candidatos para fins de
propaganda.
Proibição de pagamento por propaganda
Criadores de conteúdo não podem ser contratados nem
remunerados para divulgar candidatos. Publicações patrocinadas pedindo votos
(“publis”) são vedadas.
Manifestação apenas como cidadão
Influenciadores podem expressar apoio ou crítica,
desde que de forma espontânea, como eleitores, sem vínculo com partidos ou
campanhas.
Sem impulsionamento ou monetização
Mesmo conteúdos opinativos não podem ser
impulsionados nem monetizados. A lei permite impulsionamento apenas por
candidatos, partidos e coligações.
O que é impulsionamento
É o pagamento a plataformas como Instagram, TikTok e
Facebook para ampliar o alcance de conteúdos — prática restrita aos atores
oficiais da campanha.
O cenário impõe um desafio: campanhas tentam engajar
influenciadores de forma orgânica, enquanto a Justiça Eleitoral precisa coibir
propaganda disfarçada.
Segundo o especialista em marketing político Paulo
Loiola, há uma “zona cinzenta” na aplicação das regras, especialmente na
distinção entre divulgação institucional e campanha eleitoral.
Quando identificada propaganda irregular, candidatos
e partidos podem sofrer multas, remoção de conteúdo, restrições e até cassação
ou inelegibilidade. Influenciadores também podem ser multados e responder
criminalmente em casos de desinformação.
Pessoa física x pessoa jurídica
O controle não se limita a influenciadores. Páginas
de memes e entretenimento com grande alcance também entram no radar.
Segundo a especialista em Direito Eleitoral Amanda
Cunha, há distinção entre a atuação individual e a de perfis que funcionam como
empresas digitais. Nestes casos, além da proibição de pagamento, há vedação à
participação de pessoas jurídicas em campanhas.
Pela legislação, empresas não podem financiar nem
fazer propaganda eleitoral, inclusive nas redes sociais.
Fiscalização e ações do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma investir
em campanhas educativas e combate à desinformação. Entre as iniciativas estão a
websérie “V de Verdade” e conteúdos sobre uso de inteligência artificial, além
de parcerias com plataformas digitais como Google, Kwai e Meta.
Agências de marketing e rastreio de
campanhas
A intermediação por agências de marketing digital
pode dificultar a identificação de responsáveis por conteúdos políticos.
Um exemplo citado é o caso envolvendo o banco
Master, em que influenciadores relataram propostas para criticar o Banco
Central. A Polícia Federal investiga possível uso dessas estratégias para
obstrução de Justiça.
Influência, algoritmos e desinformação
Especialistas apontam que o ambiente digital
favorece conteúdos com alto engajamento emocional, o que pode ampliar a
circulação de desinformação.
Além disso, cresce a relevância de influenciadores
de menor alcance, mas com forte conexão em comunidades específicas — os
chamados microinfluenciadores.
Nesse contexto, o desafio das campanhas é estimular
engajamento espontâneo dentro dos limites legais, em um ambiente onde a
confiança em indivíduos tem ganhado mais peso do que em instituições.
Com informações de g1

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