A alta dos combustíveis e dos alimentos resultaram
em uma inflação de março de 0,88%, acima das expectativas do mercado, que
esperava um resultado de 0,70%, segundo dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) e economistas. Os grupos de Transportes e
Alimentos e bebidas juntos corresponderam a 76% da inflação de março.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) mostram que o grupo Transportes teve alta de 1,64%, com
destaque para a gasolina (4,59%), responsável sozinha por 0,23 ponto percentual
da inflação. O diesel subiu ainda mais, 13,90%, embora com menor impacto direto
no índice. Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, “em alguns
subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas
no cenário internacional”.
Alta dos combustíveis
A alta dos combustíveis ocorre em um contexto de
maior volatilidade no mercado internacional de petróleo, com o fechamento do
Estreito de Ormuz, ocasionado pela guerra entre Irã, Estados Unidos e
Israel. O ataque a instalações energéticas na Arábia Saudita reduziu a
oferta global da commodity nesta sexta-feira (10), e elevou os riscos de
interrupção no fornecimento, pressionando preços.
O encarecimento do diesel tem efeito disseminado
sobre a economia brasileira, ao elevar o custo do frete. No início de abril, o
governo anunciou um pacote de medidas para tentar conter uma alta ainda maior.
O conjunto inclui subsídios diretos ao diesel, apoio ao gás de cozinha e
crédito bilionário para companhias aéreas.
As ações foram formalizadas por meio de uma medida
provisória (MP), decretos e envio de projeto de lei ao Congresso. O impacto
fiscal soma bilhões de reais em curto prazo, com foco na redução imediata de
preços ao consumidor.
Alimentos aceleram com choque de oferta
e frete mais caro
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,56% em
março, com impacto de 0,33 ponto percentual no índice. Dentro dele,
a alimentação no domicílio avançou 1,94%, a maior alta desde abril de
2022.
Itens básicos registraram aumentos expressivos,
como leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%), refletindo redução de
oferta e sazonalidade.
Segundo o IBGE, a alta dos alimentos combina dois
fatores principais:
- Menor
disponibilidade de alguns produtos;
- Aumento
dos custos logísticos, impulsionados pelos aumento dos combustíveis.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o
qualitativo do índice melhorou em todas as medidas, apesar da alta acima do que
o mercado esperava.

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