A nova pesquisa do Datafolha traz notícias
inquietantes para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a apenas seis meses da disputa
presidencial.
Entre os brasileiros aptos a votar, a avaliação do
governo petista tem viés de baixa. Ademais, nas simulações de segundo turno, o
incumbente aparece empatado com os principais adversários à direita, e Flávio
Bolsonaro (PL) se encontra pela primeira vez numericamente à frente.
Passado o primeiro terço do ano, o governismo
esperava reações mais positivas ao que julga serem feitos de maior impacto de
Lula 3. Trata-se, por exemplo, da ampliação da faixa de isenção do Imposto de
Renda, de programas sociais como o Gás do Povo ou o Pé-de-Meia, do desemprego
mínimo ou do aumento dos salários. Não tem sido assim.
A surpresa e a preocupação ficaram evidentes com o
frenesi de reuniões recentes em Brasília, destinadas a cobrar propaganda mais
eficaz e a discutir medidas de emergência para reduzir inadimplência e juros ou
conter o preço dos combustíveis.
Mesmo do ponto de vista do puro pragmatismo
eleitoral, a tarefa de impulsionar a popularidade do mandatário é difícil. A
conta dos erros de Lula chegou.
O gasto público excessivo e remendos frequentes na
política fiscal contribuíram para a alta da inflação. Em decorrência, as taxas
de juros aumentaram para os níveis mais altos em 20 anos, assim como a
inadimplência.
A vitória de Lula por mínima margem em 2022 deveu-se
muito ao apoio do centro. Apesar de entregar ministérios ao centrão, o
presidente pouco se ocupou do diálogo com eleitores que não são bolsonaristas
nem lulistas. Parece não se dar conta das mudanças políticas e sociais
ocorridas desde 2010, quando se tornou o presidente mais popular da história.
Lula agora não tem avaliação positiva nem mesmo
entre os eleitores com renda abaixo de dois salários mínimos, sua base
principal —é ótimo ou bom para 32% e ruim ou péssimo para 33% deles. No
eleitorado em geral, são 29% a 40%, respectivamente. Desde fins de 2024, o
saldo jamais voltou a ser positivo.
Entre os "não alinhados" (nem
bolsonaristas nem petistas, 27% da amostra do Datafolha), há déficit de 21
pontos; entre os de centro (16% da amostra), de 17.
No primeiro turno, Lula mantém 39% dos votos, ante
35% de Flávio Bolsonaro, que cresce. A campanha não começou, e é difícil prever
a reação do eleitorado ao histórico do oposicionista. O presidente, de todo
modo, tem meses preocupantes adiante.
O efeito da guerra afeta a inflação. Juros
permanecerão altos por mais tempo, assim como as agruras financeiras. O
mal-estar da sociedade com escândalos de corrupção também costuma se estender
aos governantes.
O governo até agora não tem planos ou discursos
novos para apresentar à população, a quem quer convencer de que Lula 3 é Lula 2
—quando havia a ajuda de um cenário externo excepcional.
Editorial Folha de São Paulo

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