A Justiça Eleitoral investiga uma Ação de
Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que investiga suspeitas de abuso de
poder econômico e possível arrecadação irregular de recursos durante a campanha
eleitoral de 2024 no município de Canguaretama. O processo também cita
movimentações financeiras via Pix e possíveis pagamentos fora da conta oficial
de campanha.
Segundo as alegações finais, houve movimentação de
valores em uma conta ligada a Radan Soares da Costa, representante da empresa
Potiguar Music Produções, próximo às eleições. A suspeita é de que recursos
teriam sido usados fora da prestação oficial de contas.
De acordo com os autos, a quebra de sigilo bancário
identificou transferências envolvendo secretários municipais, coordenadores e
outros nomes ligados à gestão e ao grupo político investigado. Entre os
registros, tem valores enviados e recebidos em datas próximas à campanha, além
de pagamentos que não teriam sido declarados na prestação de contas eleitoral.
O processo também cita que um dos envolvidos teria
recebido cerca de R$ 720 mil em contrato de dispensa de licitação em janeiro de
2025, após a eleição. Outro ponto da investigação envolve um fornecedor que
teria recebido pagamentos declarados e valores adicionais via conta ligada ao
mesmo operador financeiro citado no processo.
A investigação aponta ainda que a empresa Plano A,
cujo responsável teria feito doações relacionadas à conta investigada, possui
contratos e empenhos que somam aproximadamente R$ 4,9 milhões na atual gestão
municipal, em 2025.
Movimentações sob análise
Os autos também mencionam a existência de uma lista
de arrecadação informal que circulou em aplicativos de mensagem durante a
campanha, com valores e chave Pix vinculada ao mesmo nome investigado. A
Justiça apura se esse fluxo financeiro teria sido usado para custear eventos
políticos e mobilizações eleitorais.
Investigados e testemunhas apresentaram versões
divergentes. Parte deles afirmou que os valores eram doações voluntárias para
despesas de eventos e confraternizações, enquanto outras defesas alegam que não
havia estrutura financeira irregular, e que os eventos teriam ocorrido de forma
espontânea.
O Ministério Público Eleitoral analisa o conjunto de
provas e depoimentos para decidir se houve irregularidade suficiente para
eventual cassação de mandato ou inelegibilidade dos envolvidos por até oito
anos. O processo segue em tramitação na Justiça Eleitoral.
Blog do BG

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