O deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder do
governo na Câmara, é o principal cotado para assumir a Secretaria de Relações
Institucionais (SRI), pasta responsável pela articulação política do Palácio do
Planalto. A vaga será aberta com a saída de Gleisi Hoffmann, que deixará o
cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná nas eleições de outubro.
A informação foi confirmada pelo próprio Guimarães
em entrevista à CNN Brasil. Segundo aliados do presidente Lula, a decisão é
manter o posto sob comando de um integrante do PT com experiência direta no
Congresso — perfil que o deputado, hoje em seu quinto mandato, reúne com folga.
Apesar da longa trajetória parlamentar, o nome de
Guimarães carrega um estigma que nunca saiu completamente do noticiário: o
episódio dos "dólares na cueca".
Em 8 de julho de 2005, em pleno auge do escândalo do
Mensalão, o assessor parlamentar de Guimarães, José Adalberto Vieira da Silva,
foi preso pela Polícia Federal no embarque do aeroporto de Congonhas, em São
Paulo. Com ele, foram encontrados US$ 100 mil escondidos na cueca e mais R$ 209
mil em uma mala de mão — o equivalente, na cotação da época, a quase meio
milhão de reais.
O episódio ganhou repercussão nacional e rendeu ao
deputado o apelido de "Capitão Cueca", que o acompanha até hoje.
Adalberto apresentou versões contraditórias sobre a
origem do dinheiro à Polícia Federal. Primeiro, disse que os valores eram
resultado da "venda de verduras". Depois, atribuiu a quantia a um
"bancário aposentado". Por fim, afirmou que o dinheiro era dele e
seria usado para "negócios particulares" no Ceará. O Ministério
Público Federal classificou os valores como propina.
Guimarães sempre negou envolvimento.

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