A matéria é do G1
Um novo vírus bancário para Android está mirando
usuários brasileiros e explorando o sistema Pix para desviar dinheiro em
questão de segundos. Segundo relatório da empresa de segurança Zimperium, o
malware identificado como PixRevolution é capaz de sequestrar transferências em
tempo real, atuando no exato momento em que a vítima realiza o pagamento.
Para entender mais sobre a ameaça, o TechTudo
conversou com Fernando Serto, Field CTO para a América Latina na Akamai, que
explicou como o ataque funciona, por que ele é difícil de detectar e quais
cuidados podem evitar prejuízos.
Vírus bancário ataca celulares e sequestra Pix em
tempo real
Neste guia, será explicado o que é o vírus bancário,
como ele atua na prática e de que forma esses ataques podem acontecer em tempo
real. Também será detalhado como o malware consegue infectar celulares Android,
por que esse tipo de golpe costuma passar despercebido e quais são as
principais medidas para se proteger.
De acordo com a Zimperium, o malware identificado,
chamado PixRevolution, faz parte de uma nova geração de trojans financeiros
desenvolvidos especificamente para explorar o Pix no Brasil. O relatório
classifica a ameaça como um “agent-operated Android trojan”, ou seja, um vírus
operado por um agente que pode acompanhar e interagir com o dispositivo da
vítima em tempo real.
A análise também mostra que a campanha mira
aplicativos de instituições financeiras amplamente utilizados no país,
incluindo Nubank, Itaú Unibanco S.A., Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal,
Santander Brasil, PicPay, PagSeguro, Sicredi e XP Investimentos, aumentando as
chances de sucesso ao atingir serviços populares entre os usuários.
“O pagamento via Pix já é utilizado por 82% dos
clientes de bancos digitais e 55% dos clientes de bancos tradicionais",
contextualiza Fernando Serto.
O ataque combina técnicas de espionagem com manipulação
ativa do dispositivo. Segundo a Zimperium, o malware utiliza, entre outros
recursos, permissões de acessibilidade do Android para ler o conteúdo da tela,
acompanhar interações do usuário e até executar comandos automaticamente dentro
dos aplicativos.
Com isso, o vírus consegue observar o comportamento
da vítima e intervir diretamente no funcionamento do aplicativo bancário. Entre
as estratégias utilizadas estão a sobreposição de tela, captura de credenciais,
interceptação de notificações e automação de interações dentro do app.
A Zimperium aponta que a infecção costuma começar
com aplicativos maliciosos que se passam por versões falsas de serviços
legítimos. Entre os exemplos identificados na campanha estão apps que imitam
nomes conhecidos — como Expedia, Sicredi, Correios, Superior Tribunal de
Justiça e AVG — além de outros como Reconhecimento XP, Caçamba Central, Paraná
Caçambas e PilateseEmCasa. Esses nomes são usados como isca para enganar o
usuário e induzir à instalação do trojan no dispositivo, sem qualquer relação
com os aplicativos oficiais dessas instituições.
Na prática, isso significa que o malware não apenas
espia, mas também pode agir. Em alguns casos, ele é capaz de navegar dentro do
aplicativo bancário, preencher dados e confirmar ações, executando etapas da
transação sem que o usuário perceba.
Serto detalha esse comportamento ao afirmar que
“malwares financeiros são projetados para monitorar o comportamento do usuário
e só são ativados quando identificam uma ação sensível, como a abertura de um
aplicativo bancário ou até mesmo durante o início de uma transação via Pix.”
Ataque é feito em tempo real
Um dos pontos mais críticos destacados pela
Zimperium é a execução do golpe em tempo real. No caso do PixRevolution, isso
acontece porque o malware permite que um operador acompanhe a atividade no
dispositivo da vítima e atue exatamente durante a transação.
Isso significa que, enquanto o usuário realiza o Pix
dentro de aplicativos de bancos ou carteiras digitais, um agente pode observar
a tela e interferir no processo no momento da confirmação, redirecionando
valores ou alterando informações da transferência.
Segundo Fernando Serto, essa característica torna o
golpe particularmente perigoso. “Como o Pix é um método de pagamento
instantâneo, o ataque acontece dentro de um tempo muito curto, reduzindo as
chances de reversão”, explica.
O especialista também ressalta que a detecção é
difícil porque o ataque ocorre dentro de um fluxo legítimo. “Os ataques partem
do dispositivo da própria vítima e utilizam credenciais válidas, dentro de um
fluxo esperado, reduzindo os sinais de anomalias”, afirma.
Como o vírus infecta o celular Android
Apesar da sofisticação, a infecção ainda depende, na
maioria dos casos, da ação do usuário. Segundo o relatório da Zimperium, os
criminosos utilizam principalmente engenharia social para enganar as vítimas. Isso
inclui aplicativos falsos que simulam bancos ou serviços populares, links
maliciosos enviados por mensagens e contatos que se passam por suporte técnico
ou instituições financeiras, muitas vezes com tom de urgência.
“Hoje já é possível uma combinação dos dois modelos,
mas a infecção inicial ainda depende muito de engenharia social", reforça
Serto.
Por que é difícil perceber o golpe?
A dificuldade em identificar o ataque está no fato
de que ele ocorre durante uma ação legítima do usuário. Segundo Serto, muitos
desses malwares permanecem inativos até detectar o momento exato da transação.
“Por exemplo, o comportamento do usuário hoje está
cada vez mais orientado por velocidade e fluidez, que inclusive a nossa
pesquisa mostra que são os principais fatores na escolha de um banco. E os
ataques se aproveitam justamente dessa dinâmica”, explica.
Como o acesso ocorre com credenciais reais e dentro
do próprio aparelho, sistemas de segurança têm mais dificuldade para
identificar a fraude. Mesmo assim, alguns indícios podem indicar infecção, como
lentidão do aparelho, aplicativos desconhecidos, pedidos incomuns de
permissões, telas sobrepostas inesperadas e movimentações financeiras não
reconhecidas.
Como se proteger
A proteção contra esse tipo de golpe passa
principalmente por hábitos seguros no uso do celular. Com base na análise da
Zimperium e nas orientações do especialista da Akamai, é fundamental evitar
instalar aplicativos fora de lojas oficiais, desconfiar de links recebidos por
mensagens e revisar permissões antes de concedê-las — principalmente as
relacionadas à acessibilidade do sistema. Manter o aparelho sempre atualizado
também é essencial. Durante transações via Pix, a recomendação é redobrar a
atenção. Qualquer comportamento fora do padrão pode ser um indicativo de
interferência maliciosa.

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