Crianças internadas na ala pediátrica do Centro de
Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal,
estão sendo submetidas a condições desumanas de internação. Segundo relatos de
acompanhantes, o setor não possui ventilação adequada, não tem janelas e está
sem ar-condicionado, transformando o ambiente em uma verdadeira sauna para pacientes
que já enfrentam dor extrema por queimaduras.
A situação beira o absurdo: famílias são orientadas
a trazer ventiladores de casa para amenizar o calor, mas a administração do
hospital barra a entrada dos aparelhos. O resultado é um ciclo de sofrimento agravado.
Crianças queimadas, que clinicamente necessitam de ambiente com temperatura
controlada para evitar infecções e auxiliar na cicatrização, são forçadas a
suportar calor intenso e suor constante, o que pode piorar significativamente o
quadro clínico.
Relatos de mães e acompanhantes descrevem cenas de
desespero. Crianças chorando de dor e calor ao mesmo tempo, sem que a equipe
assistencial tenha condições estruturais de oferecer alívio. O CTQ do Walfredo
Gurgel é a única unidade especializada em tratamento de queimados em todo o Rio
Grande do Norte, atendendo tanto a rede pública quanto a privada. Não há
alternativa. Quem precisa desse atendimento no estado não tem para onde ir.
O ambiente que deveria oferecer o mais alto nível de
cuidado a pacientes em situação extrema é, paradoxalmente, um dos piores
espaços do hospital. A ausência de climatização adequada na ala pediátrica de
um centro de queimados não é apenas uma falha administrativa. É uma violação
direta ao direito à saúde e à dignidade de crianças que já chegam ao hospital
em sofrimento.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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