Com o fim do verão, as chuvas de março e o período
pós-Carnaval, Natal registra aumento nos casos de viroses e doenças
respiratórias, o que aumenta a procura por serviços de saúde na capital
potiguar nessa época. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os
principais casos confirmados de vírus respiratórios em circulação na capital
são de influenza A, rinovírus, Vírus Sincicial Respiratório e adenovírus.
“O município
vem observando um aumento na procura por serviços de saúde, principalmente para
casos de síndromes respiratórias, o que é esperado para esse período de
sazonalidade e pós-festas”, diz a SMS. “A secretaria vem observando uma
antecipação do período de maior incidência de casos de síndromes respiratórias,
que em 2025 aconteceu no final de abril, e este ano, no mês de março, já
apresentou alta de casos”.
De acordo com o pneumologista Thiago Dantas, que
atua no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN-Ebserh), as infecções
virais respiratórias, as populares viroses, aumentam após os períodos de festas
devido à aglomeração da população e ao contato mais íntimo. “Durante os
períodos chuvosos, ocorre algo semelhante, pois tendemos a ficar mais
confinados para a proteção das chuvas”, explica.
O médico aponta para um aumento nos casos de
influenza (gripe), resfriado comum, bronquiolite, covid-19 e pneumonia
bacteriana nesse período. Esse cenário é acompanhado pela SMS, que afirma
manter vigilância ativa diante da circulação de todos os vírus respiratórios
típicos desse período.
Apesar de não dispor do levantamento específico
sobre atendimento para os casos de doenças respiratórias, a SMS monitora as
notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Entre janeiro e 21 de
março de 2026, Natal registrou 126 casos de SRAG, conforme dados do Sistema de
Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe).
Do total de notificações, 43 casos foram confirmados
de influenza, 5 de Covid-19, 13 de outros vírus respiratórios, 1 de outro
agente etiológico, 14 permanecem como vírus não especificados e 50 ainda estão
sem classificação. Desses 126 casos notificados, 88% são crianças e idosos.
“A SRAG é a manifestação mais grave de uma pneumonia
viral ou bacteriana. Ela pode levar à falta de ar, tosse persistente,
dificuldade para andar ou realizar as atividades habituais, dedos e lábios
arroxeados, que podem significar diminuição da oxigenação”, explica Thiago
Dantas.
Somente na semana epidemiológica n.º 11,
correspondente ao período de 15 a 21 de março de 2026, foram registradas 21
notificações de SRAG em Natal. O número foi inferior ao observado na semana
anterior (31), mas superior ao registrado no mesmo período do ano passado (16),
um aumento de aproximadamente 31%, se comparado a 2025.
Durante os surtos de infecções virais, é comum
ocorrer um aumento nos casos de SRAG, diz o pneumologista. Os casos são mais
frequentes nas pessoas consideradas do grupo de risco, que são os idosos,
crianças menores de 5 anos, gestantes, obesos, diabéticos, pacientes com
doenças pulmonares crônicas, cardiopatas e oncológicos.
Em Natal, segundo a SMS, a vacinação contra a
covid-19 continua sendo de rotina para idosos, gestantes e crianças menores de
5 anos. A imunização funciona como reforço para grupos especiais acima de 5
anos. Para as pessoas entre 5 e 59 anos sem vacinação prévia, o esquema é
composto por uma dose do imunizante.
A campanha de vacinação contra a influenza em 2026
começa neste sábado (28), com o Dia D de Vacinação e imunizante atualizado para
as novas cepas do vírus.

Nenhum comentário:
Postar um comentário