domingo, 4 de junho de 2023

Industriais vão à Justiça para retirar invasores de terreno

 


Tribuna do Norte

A Associação do Distrito Industrial de São Gonçalo do Amarante deverá acionar a Justiça contra a invasão de um terreno localizado na região. De acordo com Edilson Moura Pereira, dono de uma fábrica na localidade, a intenção é articular a Associação, por meio da escolha de uma nova presidência, para a adoção da medida. Segundo ele, o receio é de que haja problemas com os invasores por causa da logística de trabalho da fábrica, que fica ao lado da terra invadida. “Aqui nós emitimos muita poeira e, como fazemos hora extra até tarde, eles podem reclamar do alto barulho”, comenta o industrial.

“A gente trabalha com uma máquina de alta pressão que joga areia no ferro para tirar a ferrugem. Isso causa muita poeira, que irá toda para essa moradias. Não é o ideal que isso aconteça”, completa o industrial. Segundo Edilson, em função dos riscos e da possibilidade de problemas, a ideia é articular a Associação que representa as fábricas na região para acionar a Justiça contra a invasão. “O presidente da Associação fechou a fábrica que funcionava aqui. Então, estou em contato com ele para elegermos uma nova presidência e para, assim, acionar a Justiça”, detalha.

 Edilson disse que já tentou contato junto à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante para que fossem adotadas providências em relação à questão, mas, até o momento, não recebeu nenhum retorno. “A Prefeitura só orientou que as pessoas mantivessem uma distância de 20 metros do muro [da fábrica dele] e nada mais”, conta. “Por isso, nós estamos querendo resolver as coisas de forma legal, junto à Justiça”, afirmou Edilson. 

Na último dia 26, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São Gonçalo do Amarante chegou a confirmar a invasão e afirmou que a área trata-se de uma propriedade privada. “O grupo se encontra numa área privada. A Secretaria de Defesa Social do Município esteve no local e verificou que eles desmataram a vegetação do terreno e jogaram os entulhos na via pública. A Prefeitura vai desobstruir a estrada, mas como se trata de uma área privada, não vai entrar nesta seara”, informou o secretário municipal de comunicação e eventos, Márcio Cezar.

A assessoria informou também que não havia nenhum tipo de autorização, por parte da Prefeitura, para a instalação de moradias no local. Procurado novamente na sexta-feira (2), Cezar orientou à reportagem que verificasse a questão junto ao secretário de Urbanismo do Município, que não respondeu aos contatos feitos. A TRIBUNA foi ao local invadido na última sexta. Até então, apenas demarcações de lotes haviam sido feitas.

O terreno fica por trás da Shock Casa Show, na BR 101, entre a rua Engenheiro Potengi e a Avenida da Oliveiras e foi dividido em 30 lotes de 5 metros cada. Cada área está cercada com arames e varas. No local, a reportagem encontrou somente um pequeno grupo de pessoas que ainda discutiam a divisão dos lotes. 

Sob a condição de anonimato, um dos candidatos a estabelecer moradia na região, disse à TRIBUNA que algumas pessoas estão se aproveitando da situação para vender os lotes.

“Teve gente que chegou aqui, ocupou um lote e depois vendeu a R$ 200, R$ 300”, diz a fonte. Ninguém soube informar o número de integrantes do grupo. A região está localizada próximo à divisa com Natal e Extremoz, onde dezenas de indústrias estão instaladas, gerando emprego e renda para os moradores de São Gonçalo e da Grande Natal. O local em questão está nas proximidades de grandes empresas, como a Guararapes, Vicunha Têxtil e Coats Corrente Têxtil.

A reportagem conversou com alguns invasores e eles afirmam que viram no terreno uma oportunidade para ter moradia sem pagar aluguel. “Moro perto e quando começou o movimento aqui, vim para cá. Vivo de aluguel, pago R$ 200, além de água e luz, mas só faço bicos. Sou separado, não tenho Bolsa Família e cuido de quatro filhos pequenos. Esse cantinho aqui seria bom para eu morar sem pagar nada. Isso aqui é uma área pública, mas ninguém sabe de quem é. Dizem que não tem nem documento”, conta Adenilson Fernandes, de 48 anos.

Assim como Adenilson, Ivaneide da Silva, de 48 anos,  estava na área para delimitar o próprio lote. Ela conta que também vive de aluguel na região, mas relata que o Bolsa Família, única fonte de renda, é insuficiente para pagar as despesas dela e dos filhos. “Pago R$ 250. Não tenho nenhuma outra renda além dessa. Às vezes, não tenho nem o que comer”, relata.

O caso de Alisson Daniel, de 29 anos, também está em situação semelhante ao dos demais ouvidos pela reportagem. Sem condições de pagar aluguel, ele foi até a área na esperança de pegar um lote. “Me disseram que uma mulher pegou esse pedaço de terra aqui, mas depois desapareceu. Eu estou limpando o mato  para ver se consigo pegar para mim. Estou nessa batalha”, afirma.

A área total ocupada pelo grupo  é de aproximadamente 1.500 m², localizada na região do Distrito Industrial de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. O local, segundo o grupo, é inseguro e conhecido por ocorrências de assaltos. Segundo eles, povoar o terreno vai ajudar a combater a insegurança. 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário