Mário Sabino/Metrópoles
Os assessores de imprensa do governo petista estão
vendendo a ideia de que Volodymyr Zelensky simplesmente não apareceu para uma
conversa com Lula, que até se dispôs a abrir espaço na sua agenda apertada de líder mundial de extrema
relevância, para receber o presidente ucraniano no Japão, durante o encontro do
G7.
Esses mesmos assessores de imprensa dizem que Lula,
pego de surpresa pela ida de Zelensky ao Japão (o que não é inteiramente
verdade), resistiu a reunir-se com o presidente ucraniano, por achar que as
potências ocidentais haviam tentado impor um tête-à-tête com o líder do país
agredido pela Rússia, num fórum que não seria adequado.
Não foi apenas por estar contrariado com a pressão
das potências ocidentais que Lula resistiu a receber Zelensky — ou a ser
recebido pelo presidente ucraniano, protegido por esquema de segurança
fortíssimo, tanto faz. Lula até pode ter ficado contrariado, mas esse não foi o
motivo principal. Afinal de contas, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi,
governante de um país abertamente mais alinhado a Moscou, aceitou a
circunstância e reuniu-se logo com o presidente ucraniano, em atitude muito
mais inteligente do que se fazer de totalmente surpreendido ou em desacordo com
o convite dos países do G7 ao inimigo de Vladimir Putin. C0m isso, também
apagou qualquer impressão de que teria sido pressionado.
O âmago da verdade é que Lula resistiu a
encontrar-se com Zelensky porque, além de nutrir antipatia pessoal pelo
presidente ucraniano, ele não teria como continuar a bancar a pombinha da paz
se confrontado diretamente por quem enfrenta o horror russo. A incompatibilidade
não foi de agenda, mas de lado.
Ao dar uma banana final para o presidente brasileiro
(e foi mesmo uma banana, com método), Zelensky desmascarou Lula. É um
profissional da política internacional, ao contrário do presidente brasileiro.
Ele não se prestou à humilhação de ser encaixado em horários disponíveis, como
se fosse subalterno a ser recebido por um chefe com má vontade, e mostrou que
Lula não tem interesse em uma paz justa, mas quer apenas a rendição da Ucrânia,
travestida de acordo. Ficou ainda mais claro para o mundo que o presidente
brasileiro é aliado de Vladimir Putin, apesar do trololó do seu discurso no G7,
de condenação à “violação da integridade territorial da Ucrânia”, eufemismo
ensaboado para a palavra certa: invasão.

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