Em ofício enviado à Comissão de Administração e
Serviços Públicos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, o
secretário de Administração do estado, Pedro Lopes, confirmou que o governo
atrasou pagamentos de empréstimos consignados feitos pelos servidores estaduais.
Os valores não foram informados pela gestão.
O documento foi enviado na semana passada à
Assembleia. Nesta quarta-feira (17), o presidente da comissão, deputado Luiz
Eduardo, anunciou que o secretário foi convocado para prestar mais
esclarecimentos sobre o assunto no próximo dia 24 de maio. De acordo com o
parlamentar, as respostas foram insuficientes.
Segundo os deputados, embora o governo desconte
dos salários dos servidores os valores das parcelas dos empréstimos
consignados, os pagamentos não estão sendo feitos às instituições financeiras,
o que teria causado prejuízos aos servidores públicos, como juros e descontos
indevidos nas contas.
No ofício enviado à Comissão de Administração, o
secretário informou as leis e decretos estaduais que regulamentam os
empréstimos consignados em folha. Além disso, disse aos parlamentares que
atualmente existem 125 empresas ativas com autorização para operar
consignação em folha de pagamento.
No documento, Pedro Lopes afirmou que "é
fato público e notório a delicada situação fiscal-orçamentária" do estado,
por causa das leis que reduziram a arrecadação com combustíveis,
telecomunicações e energias. Pedro Lopes também alegou que o pagamento dos
salários, dos fornecedores e dos repasses aos demais poderes são priorizadas
pelo governo.
"A promulgação das referidas leis afetou
negativamente as finanças do estado Rio Grande do Norte, implicando numa
redução na arrecadação estadual da ordem de R$ 80 milhões mensais", disse
o secretário, no ofício.
"Por tudo dito, os pagamentos referentes a
consignados não estão sendo efetuados tempestivamente. Entretanto, em se
tratando do pagamento dos repasses de empréstimos consignados às instituições
financeiras, o Governo do Estado recebeu uma dívida gigantesca das gestões
anteriores. A título de ilustração, no início do ano de 2019, apenas com o
Banco do Brasil, o Governo pagou uma dívida deixada de R$ 110 milhões",
justificou Pedro Lopes
"Assim, quanto ao cumprimento das obrigações
contratuais, o desejo do Governo do Estado, o quanto antes, retomar e
regularizar os repasses às instituições financeiras, com compromisso de
fazê-los de forma integral; bem como avançar nas negociações com os credores,
visando negociação fiscal para quitar o passivo existente", acrescentou.
Deputados convocam secretário
O deputado Luiz Eduardo afirmou que as respostas do
governo chegaram um dia após o prazo final dado pela comissão, mas foram
insuficientes diante dos questionamentos feitos. Por isso, o secretário foi
convocado para dar mais respostas sobre o tema.
"A gente precisa saber quem está sendo
prejudicado, com a falta de repasse do consignado para as instituições
financeiras, o valor devido e quando vai ser colocado em dia. Nós tivemos uma
informação que o banco está também descontando direto na conta do servidor,
então seria um duplo desconto. A gente precisa da informação oficial do governo
sobre isso, para a gente poder cobrar e fiscalizar", considerou o
deputado.
Segundo o parlamentar, as denúncias recebidas pelos
deputados apontam que há atraso de pelo menos sete meses nos repasses às
instituições financeiras.
A Secretaria de Administração do Estado foi
procurada pelo g1, mas apenas confirmou que o secretário foi
convocado para o dia 24 de maio e disse que as informações solicitadas serão
levantadas.

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