Com informações da Tribuna do Norte
O Rio Grande do Norte tem uma fila com 27.492
cirurgias eletivas a serem realizadas, de acordo com dados do Ministério da
Saúde. Para acelerar a realização dos procedimentos, o Governo Federal
disponibilizou cerca de R$ 10 milhões através do Programa Nacional de Redução
das Filas. Metade do recurso será dividido entre 21 municípios potiguares,
enquanto a outra metade é de gestão estadual. Segundo dados do ministério, o
valor supre apenas 24% da quantidade total de cirurgias pendentes, o
correspondente a 6.676 procedimentos. Cerca de R$ 3,3 milhões foram liberados,
mas ainda não chegaram aos municípios, de acordo com Conselho de Secretarias
Municipais de Saúde.
O Governo Federal deve liberar o recurso aos poucos,
a depender dos procedimentos realizados por região de saúde. Ainda de acordo
com a presidente do Cosems, Eliza Garcia, foi estabelecido um prazo de nove
meses para “organizar” as demandas em cada município e assim dar início às
cirurgias para que aconteça a liberação do restante do recurso. “Nós teremos
nove meses para realizar”, disse. O investimento total em 2023 será de R$600
milhões, segundo o ministério. Os primeiros recursos encaminhados totalizaram
cerca de R$200 milhões.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde
Pública (SESAP), a estratégia é “retomar acelerando as cirurgias” que foram
paradas devido à pandemia, “em que todos os estados paralisaram as
eletivas devido à necessidade de leitos livres para as demandas covid”. Os
procedimentos serão realizados nas oito regiões de saúde do Estado, nos
diversos hospitais regionais dentro dos municípios.
Segundo o Plano Estadual de Redução das Filas, o
procedimento com maior número de pessoas na fila é a cirurgia de catarata, com
17 mil pacientes à espera. Cerca de 2.596 cirurgias serão realizadas, ou seja,
15% da fila será atendida. A colecistectomia – remoção da vesícula biliar – é o
segundo procedimento mais procurado, com cerca de 3 mil cirurgias pendentes.
Pouco mais de 1,8 mil pessoas serão atendidas, ou, 60% da fila.
A cirurgia de hérnia também é um dos procedimentos mais procurados. São mais de
1,7 pessoas à espera, nas duas modalidades descritas no documento. Gilmara
Santos, 34, é uma das que irá acabar com a espera ainda esta semana. Ela sofre
com uma hérnia há mais de seis anos. Depois de um ano de exames, consultas e
cobranças na Secretaria de Saúde do seu município, Lagoa de Pedras, cerca de
55km de Natal, sua cirurgia foi marcada para esta quarta-feira (24) no hospital
regional de Santo Antônio.
Ela conta que agora terá uma melhor qualidade de
vida, já que durante a espera, não conseguia trabalhar ou se responsabilizar
pelos afazeres domésticos. “Com a cirurgia vai ficar bem melhor, porque eu não
conseguia trabalhar porque fazia muito esforço. A minha é na barriga, então se
eu pegasse um balde d'água já estufava, ficava bem grande. Fazia as coisas em
casa, mas era dia sim, dia não. Tinha dificuldade”, conta.
Os procedimentos listados são os mais solicitados
pelos estados brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde, seguidos de
remoção das hemorróidas e retirada do útero. O Rio Grande do Norte é o oitavo
estado com com a maior fila, atrás de Goiás, que tem o maior número de
procedimentos pendentes (125 mil), Rio Grande do Sul (108 mil), Minas Gerais
(86 mil), Bahia( 78 mil), Maranhão (47 mil), Ceará (41 mil) e Santa
Catarina (53 mil).
O valor destinado aos municípios para atender as
oito regiões de saúde, ficou em cerca de R$ 5 milhões. Depois de Natal, que
receberá R$ 1,2 milhão, Mossoró é o que terá o maior aporte, cerca de R$
921 mil, seguido de Parnamirim com R$ 726 mil, Caicó, com R$ 417 mil e
João Câmara com R$ 200 mil. Municípios como Alexandria, Almino
Afonso, Ceará-Mirim, Tenente Ananias, Goianinha e Santo Antônio receberão acima
de R$ 100 mil reais. A cidade com menor aporte foi Guamaré, que deve receber
cerca de R$ 34 mil.
Segundo divulgação do Governo Federal, 19 estados
receberam recursos do ministério para reduzir a fila de espera por cirurgias no
SUS, através do programa, lançado em fevereiro deste ano. Entre os estados que
já aderiram ao programa, a fila de cirurgias eletivas do SUS a 679 mil
procedimentos, segundo dados dos planos enviados ao Ministério. Cada estado
estabeleceu as cirurgias prioritárias, de acordo com a realidade local. Com os
recursos liberados, as secretarias de saúde estaduais e municipais poderão
realizar cerca de 277 mil cirurgias.

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