O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André
Mendonça enfrentou as críticas do decano da Corte, Gilmar Mendes, durante o
julgamento da Segunda Turma nesta terça-feira (16). O colegiado manteve as
prisões preventivas do pai e do primo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Gilmar foi o único a defender a soltura dos dois.
Ele abriu a divergência, comparando os métodos do
caso Master, relatado por Mendonça, às práticas da Operação Lava Jato, as quais
classificou como “autoritárias” e “espetaculosas”. Gilmar criticou o que chamou
de “punitivismo inebriado” e a utilização de prisões para induzir delações
premiadas.
“Juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia.
Nós sabemos muito bem onde esse caminho termina”, alfinetou. Nesta tarde,
Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação da Polícia Federal.
O decano queixou-se de que os relatórios foram
juntados aos autos poucas horas antes da sessão, impedindo a análise da defesa
e dos próprios pares. “A jurisdição penal não opera sobre o que se sonega, mas
sobre o que se revela”, disparou.
“Não estamos aqui a julgar a Lava Jato. Estamos a
julgar a maior fraude finaceira do nosso país”, retrucou Mendonça no ínicio de
seu voto. Ele rebateu as críticas, afirmando que o processo não trata de
“simples atores num gabinete na Faria Lima” praticando crimes de colarinho
branco.
Segundo o relator, a investigação revelou “contornos
de máfia” e de “crime organizado mafioso”, com uso de fuzis, metralhadoras e
infiltração no sistema policial.
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