O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal
Federal, protagonizou um dos momentos mais tensos da sessão desta quinta-feira
(11) ao defender que as novas regras de responsabilização de plataformas
digitais geram um "efeito inibidor" sobre a liberdade de expressão
dos brasileiros. Durante a leitura de sua análise nos recursos sobre o Marco
Civil da Internet, Mendonça foi questionado por colegas de plenário, que
contestaram os fundamentos de sua posição.
"Estou apenas dizendo que, na situação atual, nós
estamos gerando um efeito inibidor, porque as plataformas, com razão, para se
preservar, vão excluir conteúdos havendo dúvidas sobre o conteúdo",
declarou Mendonça. O ministro criticou especificamente a ampliação do artigo 21
do Marco Civil, que originalmente tratava apenas de casos de divulgação não
autorizada de imagens íntimas. Para ele, o STF extrapolou ao incluir outras
formas de responsabilização e criar um dever solidário das plataformas que não
estava previsto na legislação.
Os questionamentos dos demais ministros se
concentraram na tese de que a posição de Mendonça equivaleria a manter as big
techs blindadas de qualquer responsabilidade, mesmo diante de crimes graves
como terrorismo, racismo, homofobia, tentativas de golpe de Estado e instigação
ao suicídio. O entendimento majoritário da corte é de que o artigo 19 do Marco
Civil, que exigia ordem judicial para responsabilizar plataformas, era
insuficiente para proteger direitos fundamentais e a democracia. Mendonça já
havia ficado vencido no julgamento original de 2025, ao lado de Edson Fachin e
Nunes Marques, quando o placar foi de 8 a 3 pela inconstitucionalidade parcial
do dispositivo.
Apesar das divergências, Mendonça acompanhou a
maioria em um ponto específico: o prazo de 60 dias para que as plataformas se
adequem às obrigações determinadas pelo tribunal. Os ministros Dias Toffoli,
Flávio Dino, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Alexandre de Moraes também
votaram pelo mesmo prazo de transição. A proclamação do resultado final e a
fixação da tese foram adiadas para a próxima quarta-feira (17), após o
presidente da corte, Edson Fachin, constatar que ainda há divergências de
redação que precisam ser resolvidas em reunião interna entre os ministros.
O julgamento define o futuro da moderação de conteúdo
nas redes sociais no Brasil. Pelas regras já aprovadas pela maioria, as
plataformas com mais de 1 milhão de usuários passam a responder civilmente se
não removerem publicações sobre crimes graves imediatamente após notificação.
Para outros tipos de ilícitos, enquanto o Congresso não aprovar nova
legislação, as empresas responderão se não retirarem o conteúdo após pedido
direto do usuário, sem necessidade de ordem judicial. O tema repercutiu
amplamente e foi destaque no Jornal 96 desta sexta-feira (12).
Com informações do Poder360, Conjur, G1, Estadão e
CNN Brasil

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