O vereador da cidade de São Paulo Senival Moura,
do PT, foi preso nesta quinta-feira (25) durante uma operação da Polícia Civil
e do Ministério Público de São Paulo que investiga o Primeiro Comando da
Capital (PCC) e um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma empresa
de transporte público.
A ação faz parte da Operação Última Parada, que
também tem como alvo integrantes da facção criminosa e dirigentes da
concessionária Transunião.
Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de prisão
e 104 mandados de busca e apreensão, cumpridos em cidades de São Paulo, na
Grande São Paulo, no interior do estado e em Extrema (MG). Entre os presos
estão o vereador e o presidente da empresa, Lourival de França Monário.
As investigações tiveram início após o assassinato
de Adauto Soares Jorge, então presidente da concessionária, em 2020. A partir
desse caso, equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic)
e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)
identificaram indícios de possível influência do PCC na administração da
empresa.
Segundo os investigadores, teria sido identificado
um núcleo paralelo dentro da concessionária, responsável por decisões
estratégicas e movimentações financeiras. Também há suspeitas de
irregularidades na evolução do capital social da Transunião, que teria passado
de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem comprovação clara
da origem dos recursos.
Em 2025, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões do
sistema municipal de transporte coletivo. Para os investigadores, parte dessa
estrutura pode ter sido usada para dar aparência de legalidade a recursos
ligados ao crime organizado.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 194
milhões em contas bancárias, além da indisponibilidade de veículos, imóveis e
embarcações ligados aos investigados. Também foi determinado o afastamento da
diretoria da concessionária e a comunicação à Prefeitura de São Paulo para
possível intervenção no serviço de transporte.
A Operação Última Parada mobilizou cerca de 350
policiais civis, além de promotores do Gaeco e equipes especializadas. As
investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar a
análise da movimentação financeira do grupo.

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