Os três casos graves investigados após a aplicação
da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan ocorreram em
profissionais da atenção primária à saúde, informou o Ministério da Saúde nesta
segunda-feira (8). As informações são da CNN.
Entre os casos estão duas mortes e uma paciente que
precisou de internação em unidade de terapia intensiva (UTI), mas se recuperou.
Segundo a pasta, ainda não há evidências suficientes para comprovar uma relação
de causa e efeito entre a vacinação e os episódios.
Os casos fazem parte de um conjunto de 42 eventos
adversos graves registrados entre cerca de 500 mil doses aplicadas do
imunizante, o que levou o governo federal a suspender temporariamente a
estratégia de vacinação para aprofundar as investigações.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, aproximadamente 417 mil das 500 mil doses aplicadas no país foram
destinadas a profissionais da atenção primária à saúde.
O grupo inclui agentes comunitários de saúde,
médicos de família, enfermeiros e integrantes das equipes de Saúde da Família,
considerados mais expostos ao risco de infecção pela dengue devido ao contato
direto com a população.
“Nós temos profissionais de todo o Brasil que
receberam a maior parte dessas 500 mil doses. A grande maioria das doses foi
destinada a esses profissionais, que estão protegidos contra a dengue”, afirmou
o ministro.
Além dos trabalhadores da saúde, o Ministério da
Saúde também promoveu estratégias de vacinação em massa em Botucatu (SP), Nova
Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína, no Tocantins.
Nessas localidades, pessoas de 15 a 59 anos foram
convocadas para receber a vacina. Ao todo, cerca de 83 mil doses foram
aplicadas nessas regiões.
Casos graves não ocorreram em cidades
com vacinação ampliada
Segundo informações da coletiva, embora parte das 42
reações adversas graves tenha sido registrada nas cidades que participaram da
estratégia ampliada, os três casos mais graves não ocorreram nesses locais.
“Dos três casos graves que levaram à internação,
nenhum deles é das cidades da estratégia ampliada. Ocorreram na estratégia de
vacinação dos profissionais da atenção primária à saúde”, disse.
O ministro também afirmou que nenhum dos dois óbitos
investigados foi registrado nos municípios e regiões que receberam a vacinação
ampliada.
“Não são nem das três cidades de vacinação ampla nem
da região de Tocantins. Dessas quatro regiões, não tivemos nenhum caso de óbito
com relação temporal à vacina”, afirmou.
De acordo com o governo federal, as localidades que
participaram da vacinação em massa também não apresentaram a mesma proporção de
reações adversas graves observada no conjunto nacional de vacinados.
O que se sabe sobre os casos
Segundo informações apresentadas pelo Programa
Nacional de Imunizações (PNI), um dos casos envolveu uma mulher de 39 anos que
apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Ela
evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, precisou de internação em
terapia intensiva e recebeu alta.
Outro caso foi o de uma mulher de 48 anos que
desenvolveu sintomas de dengue grave com comprometimento neurológico 19 dias
após receber a vacina. Ela morreu.
O terceiro caso envolveu um homem de 58 anos que
apresentou sintomas cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para um
quadro grave, também resultando em morte.
Segundo o Ministério da Saúde, todos os casos
passaram por análise do Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de
Vacinas e Outros Imunobiológicos (CIFAVI).
Investigações continuam
O governo federal informou que a suspensão
temporária da vacinação tem caráter preventivo e permitirá aprofundar as
investigações sobre os 42 eventos adversos graves registrados.
As análises serão conduzidas pelo Ministério da
Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Butantan,
especialistas independentes e órgãos de vigilância estaduais e municipais.
De acordo com a pasta, os trabalhos irão avaliar
possíveis fatores de risco em comum entre os pacientes, histórico clínico,
condições de armazenamento e aplicação das doses, além de outras hipóteses que
possam explicar os casos.
Até o momento, o Ministério da Saúde afirma que não
há elementos suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e
os dois óbitos investigados.
Veja pronunciamento do Butantan
“O Instituto Butantan informa que,
seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a
dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para
reavaliação da estratégia vacinal.
No momento, profissionais de saúde
estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação
adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de
aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à
vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas
da vacinação.
O Instituto Butantan mantém seu
compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir
trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as
informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando
o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve
eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em
revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em
massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o
acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes
de reação adversa na população.
O Instituto Butantan, como já
demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor
para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando
sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a
tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma
seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de
problemas de saúde pública brasileira pelo SUS.”

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