O petróleo recuou para o menor nível desde o início
do conflito no Oriente Médio, reflexo do arrefecimento das tensões geopolíticas
que desde o começo do ano pressionavam a oferta global. A queda chegou
inclusive às refinarias brasileiras: a Refinaria Clara Camarão (Brava Energia),
em Guamaré/RN, acumula duas reduções seguidas nos preços da gasolina A e do
diesel S500 nas últimas semanas, com recuos de R$ 0,18 e R$ 0,25 por litro,
respectivamente.
O problema está no meio do caminho: as
distribuidoras. Relatos de revendedores em diferentes estados do país apontam
que, na prática, o que tem ocorrido são aumentos nos preços de aquisição, não
reduções. O motivo alegado pelas distribuidoras é a chamada “restrição de
estoque” — um eufemismo amplamente utilizado no setor para indicar que o produto
está escasso, sem chegar a declarar formalmente o desabastecimento.
Postos de bandeira branca relatam dificuldades para
adquirir combustível, com distribuidoras priorizando o atendimento às redes
próprias bandeiradas. A ANP informou que acompanha permanentemente o mercado e,
até o momento, não identifica desabastecimento generalizado ou restrição
sistêmica.
Na prática, porém, o impacto da restrição tem se mostrado desigual ao longo da
cadeia: empresas com contratos diretos com grandes distribuidoras seguem sendo
atendidas, enquanto quem depende de fornecedores intermediários enfrenta maior
dificuldade para garantir o combustível. A prioridade de entrega tende a ser
direcionada aos clientes recorrentes, deixando parte do mercado desabastecida.
As distribuidoras têm alternado entregas de gasolina
e diesel e estão em contenção no envio, o que impacta diretamente a oferta na
bomba — mesmo com a demanda mantida no patamar anterior.
O cenário expõe uma assimetria estrutural do mercado: a queda no custo da
matéria-prima não se transmite automaticamente ao preço final. Especialistas do
setor alertam que o processo de repasse pode ser longo, levando meses para se
completar, a depender dos estoques existentes, dos contratos já firmados e das
condições de abastecimento ao longo da cadeia.
Enquanto as distribuidoras reorganizam seus estoques
e o governo federal mantém vigilância sobre as margens praticadas, o consumidor
que abastece nos postos — especialmente nos independentes — segue pagando
preços que ainda não refletem a queda registrada lá na ponta da produção.

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