O otimismo dos gestores de recursos com a bolsa
brasileira desabou de forma abrupta em junho. Apenas 31% dos participantes da
pesquisa mensal do Bank of America esperam que o Ibovespa supere 190 mil pontos
até o fim de 2026 — em maio, esse percentual era de 66%, representando uma
queda de 35 pontos percentuais em um único mês. A informação é do InfoMoney. O
movimento reflete uma deterioração acelerada das expectativas sobre o ambiente
econômico e político doméstico, em um momento em que o calendário eleitoral
começa a pesar sobre as decisões de investimento de médio prazo.
O pessimismo se reflete também nas projeções sobre
os lucros corporativos. A informação é do InfoMoney. Quarenta por cento dos
investidores ouvidos pelo BofA em junho já antecipam novas revisões negativas
nos resultados das empresas brasileiras ao longo do ano, ante 29% no
levantamento de maio. O movimento de correção das expectativas é coerente com
um cenário de juros ainda elevados, câmbio pressionado e consumo das famílias
em desaceleração. Setores intensivos em crédito, como varejo e construção
civil, tendem a ser os mais afetados por uma eventual deterioração adicional do
ambiente macroeconômico.
O cenário eleitoral foi apontado pelos gestores como
o principal fator doméstico capaz de influenciar os ativos brasileiros nos
próximos seis meses. A informação é do InfoMoney. A incerteza sobre o resultado
das eleições de outubro — especialmente sobre a política fiscal que será
adotada pelo próximo governo — cria um ambiente de cautela que desestimula
investimentos de prazo mais longo. Gestoras de recursos já começaram a
abandonar o chamado "kit Brasil" — combinação de Ibovespa, real e
juros pré-fixados — e a migrar para o dólar e ativos mais defensivos como forma
de proteção contra volatilidade, segundo levantamento da XP com 25 grandes
casas de investimento.
O levantamento do BofA foi concluído antes das
notícias sobre um eventual acordo entre EUA e Irã, o que pode ter limitado o
impacto de variáveis externas positivas nas respostas dos gestores. A
informação é do InfoMoney. Caso as negociações entre Washington e Teerã avancem
e reduzam a tensão no Estreito de Ormuz, os preços do petróleo poderiam ceder,
aliviando pressões inflacionárias globais e abrindo espaço para uma retomada
parcial do apetite por risco em mercados emergentes — incluindo o Brasil. Mas
analistas ressaltam que o histórico de negociações com o Irã exige cautela:
acordos anunciados já desmoronaram mais de uma vez antes de serem formalizados.

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