A possível aprovação da PEC (Proposta de Emenda à
Constituição) que prevê o fim da escala 6×1 pode gerar um aumento significativo
nos custos das empresas e impulsionar a pejotização no Brasil. A avaliação é de
Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da FGV Ibre, em entrevista ao
CNN Novo Dia.
Segundo Barbosa Filho, a redução da jornada de
trabalho prevista no texto aprovado na Câmara dos Deputados — de 44 para 40
horas semanais — representa uma queda de 9% no tempo disponível do trabalhador.
“A produtividade total desse trabalhador por mês vai cair”, afirmou. “Isso
significa que somente a redução do trabalho daria um aumento de 10% no custo do
trabalho.”
O pesquisador explicou que, ao se considerar também
os dois dias de descanso remunerado por semana previstos na proposta, o impacto
total sobre os custos das empresas pode chegar a 20%.
“Obviamente, a empresa vai buscar a alternativa. A
alternativa pode ser a informalidade, pode ser a quebra do vínculo de
trabalho”, disse Barbosa Filho. Ele acrescentou que todas as empresas que
puderem repassar esse aumento de custo aos preços o farão, atingindo o
consumidor de forma geral e pressionando a inflação.
Barbosa Filho destacou ainda o risco de aumento da
rotatividade no mercado de trabalho. De acordo com ele, é comum que, diante de
reduções de jornada com manutenção de salário, as empresas substituam
trabalhadores que ganham acima do piso da categoria por outros com remuneração
menor.
“O risco que a gente tem hoje em dia da PEC é que
uma parte desse aumento de custo vire rotatividade, uma parte vire o
trabalhador migrar para a informalidade”, alertou.
Pejotização como saída para as empresas
Questionado sobre o risco de pejotização, o pesquisador
foi direto: “Quando isso é possível, o trabalhador acaba virando uma PJ, ele
cria um CNPJ e acaba prestando um serviço para a empresa.”
Para Barbosa Filho, sempre que o custo relativo do
trabalho aumenta, tanto empresas quanto trabalhadores reagem, e a pejotização é
uma das possibilidades que estarão “em cima da mesa”.
O pesquisador também comentou sobre alternativas que
circulam no Congresso para mitigar os impactos econômicos da proposta, como a
ampliação do limite do MEI. No entanto, ele ponderou que essa medida traz
riscos próprios.
“Você abrir mais espaço para o MEI, que tem um
grande subsídio na Previdência, vai contra o equilíbrio fiscal do governo e ao
mesmo tempo você acaba fortalecendo um tipo de vínculo que não é aquele vínculo
formal com carteira”, concluiu.
Barbosa Filho ressaltou que empresas de pequeno
porte, com margens menores, serão as mais afetadas caso a PEC seja aprovada nos
moldes atuais.
CNN

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