O Rio Grande do Norte tem cerca de R$ 771,8 milhões
em créditos previdenciários que poderiam reforçar as contas do Estado, mas esse
dinheiro ainda não foi liberado. As informações são da Tribuna do Norte.
Segundo dados do Instituto de Previdência dos
Servidores do Estado (IPERN), esses valores estão travados por três motivos
principais: análises do INSS e da Dataprev e falta de documentos antigos.
Do total, aproximadamente R$ 413,2 milhões ainda
estão em análise pelos órgãos federais. Outros R$ 358,6 milhões dependem da
regularização de documentos para que possam ser pagos.
O IPERN informa que cerca de R$ 400 milhões podem
ser liberados já em 2026, caso os processos avancem e as exigências sejam
cumpridas.
O principal problema, segundo o presidente do órgão,
Nereu Linhares, é a dificuldade de encontrar documentos antigos que comprovem
as contribuições de servidores ao longo dos anos.
Há casos que envolvem registros das décadas de 1980
e 1990. Em muitos deles, os arquivos foram perdidos ou descartados, o que
dificulta a validação exigida pelas regras atuais.
O instituto alerta ainda que parte desses valores
pode ser perdida por prescrição. Pela lei, os pedidos precisam ser feitos
dentro de cinco anos após a aposentadoria.
Esse tipo de crédito funciona como um acerto entre o
Estado e o governo federal. Quando o servidor contribui para o INSS e se
aposenta pelo Estado, a União deve repassar recursos ao governo estadual.
Mesmo com os repasses, o RN recebeu em 2025 o maior
valor já registrado nessa compensação: R$ 115 milhões.
Ainda assim, o montante não cobre o déficit da
previdência estadual, que chega a cerca de R$ 147 milhões por mês, segundo o
IPERN.
Na prática, a demora na liberação desses recursos
mantém pressão sobre as contas públicas e pode aumentar a necessidade de
aportes do Tesouro estadual para cobrir o rombo da previdência.

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