O bloqueio de R$ 1,6 bilhão no
orçamento discricionário do Ministério da Educação levou a
pasta a alterar o fluxo de repasses destinados às universidades federais. Após
comunicar o fim das transferências semanais para custeio, o ministério ainda
não informou quando realizará os próximos pagamentos.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo,
a mudança gerou preocupação entre os gestores das instituições, que relatam
dificuldades para planejar despesas e cumprir contratos. Segundo o MEC, a
medida decorre da necessidade de adequar a execução orçamentária às restrições
impostas pela reprogramação das contas do governo federal.
A reitora da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Márcia Barbosa, afirmou para a Folha, que a
falta de previsibilidade compromete a gestão financeira das universidades.
“Eles dizem que vão pagar, mas não dizem quando.
Isso é um problema quando você tem contas todo mês”, declarou.
Impacto nas instituições
O bloqueio integra um conjunto de medidas adotadas
pelo governo federal para cumprir as regras fiscais. Além da contenção de R$
1,6 bilhão em despesas discricionárias, houve o bloqueio de R$ 1,03
bilhão em emendas parlamentares destinadas à Educação.
Ao mesmo tempo, o Executivo ampliou as restrições
temporárias para liberação de recursos, mecanismo conhecido como faseamento de
empenho, que limita a contratação de despesas ao longo do ano.
Diante desse cenário, universidades federais relatam
dificuldades para manter contratos de limpeza, vigilância, manutenção e
serviços terceirizados. Algumas instituições também apontam desafios para
preservar a regularidade das atividades acadêmicas e administrativas.
Reitores manifestam preocupação
Nos últimos dias, dirigentes de diversas
universidades passaram a se manifestar publicamente sobre a situação.
De acordo com a reportagem, o reitor da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Roberto Medronho, afirmou que precisou remanejar
recursos para garantir pagamentos considerados essenciais. Já a UFRGS informou
que deixou de receber cerca de R$ 900 mil em repasses na última semana.
Além disso, representantes da Universidade
Federal do Espírito Santo, da Universidade Federal do ABC e
da Universidade Federal do Paraná disseram acompanhar o
cenário e aguardam a normalização do cronograma de transferências.
Histórico de restrições
As universidades federais enfrentam dificuldades
orçamentárias recorrentes nos últimos anos. Em 2023, o governo anunciou uma
recomposição de recursos para o ensino superior federal. Entretanto, medidas
posteriores de contenção também atingiram órgãos ligados à pesquisa e à
pós-graduação.
Em 2024 e 2025, reitores voltaram a relatar problemas
para custear despesas de manutenção e investimentos. Em resposta às críticas
registradas no ano passado, o MEC anunciou a recomposição de R$ 400 milhões
para universidades e institutos federais, além da liberação de recursos que
estavam represados.
Para 2026, o governo prevê destinar R$ 10,9
bilhões ao custeio das 69 universidades federais. Até o momento, cerca
de R$ 6 bilhões foram empenhados e R$ 3,4 bilhões efetivamente
pagos.

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